Ana foi vítima de assédio sexual por parte do chefe

A jovem quer dar a cara por esta causa, para passar a mensagem de que as mulheres não se devem calar.

Ana Leitão tem apenas 24 anos, é estudante universitária, mas já vivenciou uma situação de assédio sexual no trabalho. Este episódio não teve repercussões graves na sua vida, porque conseguiu contornar a situação, mas arrepende-se de, na altura, ter ignorado a situação e não ter reagido. Por isso vem dar a cara por esta causa, para passar a mensagem de que as mulheres não se devem calar. Devem ter coragem de dizer ‘não’ e apresentar queixa à entidade patronal.

Terminou o 12º ano aos 17 anos e foi fazer um curso específico, em Espanha, para trabalhar na área da aviação. Em Espanha esteve três meses, depois regressou a casa dos pais e começou à procura de trabalho nessa área.

Começou a trabalhar aos 19 anos. O trabalho implicava andar sempre de um lado para o outro e fazer múltiplas viagens ao estrangeiro. As viagens eram feitas com o seu chefe e colegas de trabalho que formavam a sua equipa.

Uma vez Ana esteve uma semana com os seus colegas e chefe em Londres. Estavam todos hospedados no hotel. É nessa ocasião, que começam a surgir alguns convites do seu chefe, através de mensagens do telemóvel. De mensagens passou a ações. Numa situação em que estavam os dois a sós, o chefe aproximou-se de Ana para lhe sussurrar qualquer coisa ao ouvido. Aproveitando essa aproximação, este apalpa-lhe o rabo. Ana ficou sem reação e tão estupefacta que simplesmente se riu e virou costas, indo embora. “Fiquei tão atrapalhada e nervosa com essa invasão da minha privacidade, que a minha reação foi rir. Fui-me juntar aos outros e fingi que não tinha havido nada.”

Ana era sujeita a avaliações por parte do seu chefe e não conseguia obter nota para progredir na carreira. A verdade é que o tempo passava e a jovem via raparigas, que estavam há menos tempo na empresa, a progredirem e ela, que já lá estava há dois anos, não conseguia ter acesso a cargos de chefia.

Nessa altura, falou com um superior para saber o por quê de não conseguir ter acesso ao curso e o argumento era a de que era imatura e não estava preparada para ser chefe.

Hoje quando pensa na situação em si, Ana pergunta-se do por quê nunca ter dito as palavras ‘não’ e ‘basta’ ao seu chefe. Para além disso, Ana quer chamar a atenção para o facto das pessoas da própria empresa não olharem para estes casos ou situações com a gravidade e seriedade que elas merecem.