05 set 2019 17:35

Tragédia: Irmãos ficam órfãos após explosão de gás dentro de casa

Pedro e Gino perderam os pais na sequência desta tragédia

Tudo aconteceu há quatro anos. Na altura, os jovens estavam a viver com os pais no andar de baixo da moradia dos avós, na freguesia de Espinho, Braga, enquanto construíam a casa de família com que sempre sonharam.

Na manhã do dia 14 de Abril de 2015, a mãe e irmã de Emília Oliveira ligaram para a nossa convidada aterrorizadas com um estrondo sentido em toda a casa.

Em 10 minutos, Emília, a tia das crianças, chegou ao local e percebeu que se tinha tratado de uma explosão de gás.

«O meu irmão estava sentado numa pedra no lado exterior e eu não o consegui reconhecer, só quando ele falou para mim é que percebi que era o João. Estava desfigurado e cheio de sangue e disse-me “já viste não tenho sorte nenhuma”. A minha cunhada estava com o cabelo todo queimado mas a pele estava intacta, as queimaduras eram internas. Os meus sobrinhos estavam no exterior porque o meu irmão tinha conseguido trazê-los para fora de casa», conta a chorar.

As ambulâncias já estavam no local e depressa foram encaminhados para o Hospital de Braga e posteriormente transferidos para o Hospital de São João.

O acidente terá sido provocado por uma distração. O bico mais pequeno do fogão estava no mínimo e a chama terá entretanto sido apagada tendo estado toda a noite a deitar gás. Na manhã seguinte, quando Sandra Oliveira se levantou e acendeu a luz da cozinha, a explosão aconteceu.

O prognóstico dos 4 elementos da família era reservado, e os médicos temiam o pior. João Oliveira, acabou por falecer no dia seguinte.

A mãe dos meninos também não resistiu a esta luta pela vida. Emília conta que estas foram as últimas palavras que dirigiu à cunhada: «Sandra não te preocupes que os meninos estão comigo», e ela partiu nessa tarde, três dias depois do acidente.

Gino esteve cerca de um mês e meio entubado e Pedro esteve cerca de três meses.

Infelizmente, os pais de Pedro e Gino não chegaram a estrear a casa dos seus sonhos. Mas os dois jovens, recuperados, graças a uma enorme onda de solidariedade, conseguiram ver a casa terminada, e para lá mudaram em dezembro de 2018, com a tia paterna e tutora.

Emília decidiu ficar “mãe” destes meninos e deixar o trabalho para se dedicar inteiramente a eles.

Apesar do acidente ter acontecido há 4 anos, Gino e Pedro continuam a ser acompanhados no Hospital de São João e são regularmente submetidos a cirurgias de reconstrução.

Na nova casa faltavam ainda algumas obras, no entanto, um cidadão sensibilizado com a história desta família decidiu ajudar e contribuiu com três mil euros, que o termino das obras.