26 set 2019 18:46

Temas importantes sobre os quais deve falar com os seus filhos

Dicas de Mikaela Övén, fundadora da academia de parentalidade consciente e pioneira no trabalho com mindfulness, em Portugal

O nosso papel enquanto pais desde que os nossos filhos nascem é mantê-los em segurança e a salvo dos perigos. “Não falem com estranhos. Não se aproximem do fogão porque está quente. Não se empoleirem no parapeito da janela. Olhem para os dois lados antes de atravessarem uma passadeira…”, estes são ‘ensinamentos’ que tentamos passar às nossas crianças desde o primeiro momento de vida.

Mas, na maioria das vezes, não nos sentimos confortáveis para ensiná-las sobre a privacidade do seu corpo, sobre questões relacionadas com sexualidade, com intimidade. É certo que não podemos evitar completamente o risco das nossas crianças serem vítimas de um predador sexual… mas podemos munir as nossas crianças de conhecimentos que podem protegê-las do abuso sexual e, ao mesmo tempo, assegurar que os nossos filhos não se tornem agressores.

1. Fale abertamente sobre as várias partes do corpo
Nomeie as partes do corpo e fale sobre elas usando nomes próprios ou, pelo menos, ensine à criança as palavras reais das suas partes do corpo. O nosso corpo é a nossa parte mais real e precisa ser respeitado e tratado com realidade e não fantasia.

2. Ensine que as partes do corpo são íntimas
Diga à criança que as partes íntimas do seu corpo são chamadas de ‘íntimas’ porque não são para que todos vejam. Explique que a mãe e o pai podem vê-los nus enquanto os auxiliam no banho e/ou na troca de roupa, mas nem mesmo a mãe e o pai devem “fazer carícias ou cócegas” nas suas partes íntimas. E esta regra continua para todas as outras pessoas. Os adultos e os colegas só devem vê-los vestidos. Explique ainda que o pediatra pode vê-la sem roupas, porque a pessoa responsável por ela estará lá com ela. E o médico somente faz isso para ver como está a sua saúde. Explique à criança que ela é a ‘dona’ completa do seu corpo.

3. Ensine os limites do corpo
Diga à criança que não permita que ninguém toque nas suas partes íntimas e que nenhuma pessoa lhe pode pedir que lhe toque nas suas partes privadas. Alerte a criança para todas as artimanhas de um possível abusador: “Eu tenho um cãozinho lindo em casa, queres ir vê-lo”; “Eu dou-te um saco de doces se tocares aqui…”.

4. Explique à criança que não deve guardar segredos
A maioria dos abusadores dizem à criança para manter o abuso em segredo. Isso pode ser feito de uma maneira amigável, como: “Eu adoro brincar contigo, mas se contares a outra pessoa sobre o que fazemos, não vamos poder voltar a brincar juntos”; ou como uma ameaça – “Este é o nosso segredo. Se contares a alguém, vou dizer que a ideia foi tua e vais vai ter um grande problema”. Diga à criança que você jamais ficará zangado com ela se ela lhe contar e jamais achará que ela teve culpa.

5. Diga à criança que ninguém deve fotografar as suas partes íntimas
Esta é uma atitude muitas vezes não percebida pelos pais. Há muitas pessoas doentes, pedófilos, que amam fotografar e negociar retratos de crianças/adolescentes nuas online. Esta é uma epidemia e coloca o seu filho em perigo. Explique à criança que ninguém deve jamais tirar fotos suas, seja como for, nuas ou não, a criança deve sempre pedir autorização aos seus responsáveis. Por isso ensine-a a dizer: “Você não tem autorização para tirar uma foto minha”.

6. Ensine a criança a sair de situações assustadoras ou desconfortáveis
Algumas crianças não se sentem à vontade para dizer “Não” às pessoas – especialmente aos mais velhos ou adultos. Ajude-as a dar desculpas para sair de situações desconfortáveis. Explique-lhe que se alguém quiser ver ou tocar nas partes íntimas dela, a criança pode responder, por exemplo, que precisa ir à casa de banho e fugir dali.

7. Crie uma palavra “código” para a criança usar quando se sentir insegura ou com medo
Conforme as crianças crescem, podemos trabalhar com uma palavra “código” que elas podem usar quando se sentirem inseguras. Isso pode ser usado em casa, quando há convidados, ou mesmo quando vão dormir a casa de amigos. No fundo, é estipular uma palavra secreta para os momentos de perigo. A criança achará isso o máximo e estará, de alguma forma, mais protegida nas horas de perigo.

Em conclusão:
Não podemos ser ingénuos e acreditar que as nossas instruções vão impedir absolutamente o abuso ou a intimação sexual, mas, a verdade, é que quando estão devidamente informadas, as crianças correm um risco muito menor. O conhecimento é uma ferramenta poderosa em qualquer área da vida e, por isso mesmo, é preciso passarmos esse conhecimento aos mais jovens.