08 nov 2019 18:54

A importância de manter a sexualidade em idades maduras

Dicas da ginecologista Maria do Céu Santo

• De que forma a Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGUM) e a atrofia vulvovaginal (AVV) afetam a sexualidade das mulheres e a qualidade de vida do casal?

A atrofia vulvovaginal, consequência da SGUM, que surge muitas vezes após a menopausa, caracteriza-se pela secura vaginal, irritação, prurido e flacidez da mucosa, dor no ato sexual e associação com incontinência urinária. É muitas vezes acompanhada de falta de lubrificação e dispareunia (dor forte no ato sexual e após), e está ligada ao sofrimento sexual ou desejo reduzido.

Atendendo a estes sintomas é natural que, se a mulher não procurar ajuda junto de profissionais de saúde, a qualidade de vida do casal e a sua relação íntima seja afetada. É ainda de salientar que esta problemática tenderá a piorar com o passar do tempo, ao contrário de outros sintomas, como os afrontamentos, que também são consequência da menopausa, mas que tendem a melhorar e desaparecer com o evoluir da menopausa.

Se a AVV não é tratada o mais precocemente possível, as consequências são nefastas para a mucosa vaginal e em muitos casos poderá ser mesmo irreversível o seu tratamento.

• A importância de manter a sexualidade em idades maduras:

A mulher passa cerca de um terço da sua vida na menopausa e não há razão para deixar de ter uma vida sexual ativa após a mesma. A sexualidade está intimamente ligada à qualidade de vida, pelo que é fulcral combater mitos e preconceitos relacionados com o sexo nas idades maduras. Muitas vezes, o período da menopausa coincide também com o período de vida da mulher em que esta tem mais tempo para si e para a sua família, pelo que é fundamental garantir que todas as mulheres estão consciencializadas para esta temática, para que tirem o maior proveito desta fase das suas vidas.

• A importância do tratamento das mulheres com SGUM:

Estima-se que, na Europa, a atrofia vulvovaginal impacta 30 a 40% das mulheres que se encontram na pós-menopausa, sendo que apenas 25% dessas mulheres procuram tratamento médico. Entre os motivos que levam as mulheres a não procurar ajuda estão:

- Muitas consideram que os sintomas são inevitáveis, irreversíveis e sem tratamento, pois são percebidos como uma consequência natural do envelhecimento;
- Uma grande proporção de mulheres não inicia o tratamento intravaginal por causa do medo de estrogénios (após divulgação de estudos nos media que associavam tratamentos hormonais ao aumento da prevalência de doenças como o cancro);
- Pouco à vontade para abordar este tema.

Existe uma grande panóplia de tratamentos disponíveis, adaptados às necessidades de cada mulher, pelo que é necessário que as mulheres, caso se identifiquem com os sintomas da SGUM, conheçam as opções disponíveis e procurem aconselhamento junto de profissionais de saúde.

Os tratamentos atualmente disponíveis para a atrofia vulvovaginal incluem:

1 - OTC: Hidratantes e lubrificantes;
2 - Terapias orais baseadas em estrogénio;
3 - Terapias intravaginais de prescrição baseadas em estrogénio e androgénio.