18 jul 2019 12:59

Caso de violência doméstica: «Uma vez agarrou na minha cabeça e bateu no fogão aceso»

Piedade viveu 27 anos de maus tratos

Piedade casou-se com 17 anos e não imaginava o que estava por vir.

Nos dois primeiros anos de vida matrimonial não houve anormalidades no casamento, até que a pouco e pouco se iniciaram as agressões.

«Uma vez agarrou na minha cabeça e bateu no fogão de lenha aceso, ainda hoje tenho a marca na testa e houve outra vez em que pegou numa panela de água a ferver e despejou nos meus pés».

O casal teve cinco filhos, que cresceram num ambiente hostil com um pai violento. O mais velho, ao tentar ajudar a mãe, interferiu numa das discussões e foi ameaçado de morte pelo próprio pai, acabou por sair de casa, deixando mãe e as irmãs.

Piedade reforça que o marido consumia bebidas alcoólicas, mas, que já era naturalmente violento.

Em 2011, esta mulher pediu os papéis do divórcio mas o marido recusava-se a assinar. Dois anos depois, Piedade viu a morte de perto, ao passar por uma tentativa de estrangulamento.

Na presença da filha mais velha do casal, o pai só parou a agressão quando a mulher mostrou os olhos revirados e a língua para fora.

«Eu decidi que tinha que fingir estar morta, apesar de estar muito maltratada. Ele ainda me deu dois pontapés para ver se eu reagia e nada. Ele saiu da sala e foi para a casa de banho a mandar vir, gritar, chamar-me nomes e eu consegui encolher a língua e respirar um bocado, porque estava quase a perder os sentidos. Fui a arrastar-me até à entrada e assim que tive ar comecei a gritar. Ele apareceu colocou-se sobre mim para me apertar mais o pescoço», recorda trémula.

Piedade foi encaminhada para o Hospital de Viseu, onde recebeu assistência médica. No dia seguinte, no posto da GNR, ao verem o estado em que estava, recolheram o depoimento que seguiu para o Tribunal (onde estava o marido) juntamente com as fotografias da agressão. O marido esteve 5 meses em prisão preventiva e durante este período saiu o divórcio. A pena do Tribunal foram 5 anos de pena suspensa, ordem de tratamento à dependência de álcool e ordem de afastamento por uma distância mínima de 100 metros (providência cautelar) da ex-mulher e filhas.