07 out 2019 17:36

Casal homossexual agredido por quatro homens em Lisboa

Agressão ocorreu ao final da tarde do passado domingo, dia 27 de setembro.

Vítor Drummond e Fábio Liebl, de nacionalidade brasileira, vieram para Portugal para fugirem à insegurança que se vive no país. Mas a verdade é que não imaginavam que, meses depois de estarem a viver em Portugal, iriam ser notícia de jornal.

O casal foi agredido verbal e fisicamente, na sequência de um ataque homofóbico, no Terreiro do Paço, em plena luz do dia.

Vítor e Fábio vinham do Cais Sodré a caminhar à beira rio, quando foram interpelados uma primeira vez por um grupo de jovens que lhes ofereceu cocaína e heroína. O casal ignorou, mas mais à frente, já na Praça do Terreiro do Paço, foi abordado por um outro grupo de quatro homens a querer vender drogas, de novo: «quando fomos abordados mais uma vez para comprarmos droga, nós mais uma vez ignorámos e seguimos em frente. Eu até aconselhei o Fábio a seguir em frente e não olhar, o que foi péssimo porque eles sentiram-se ignorados e se calhar humilhados», explica Vítor.

O casal seguiu caminho, sem reagir às ofensas do grupo, até que Vítor fica furioso e decide agir. O jovem vê que há uma carrinha da polícia municipal a cerca de 20 metros de distância, e vai em direção à polícia e ao mesmo tempo agarra no telemóvel para tirar uma fotografia: «fiz questão que eles vissem que eu ia tirar a fotografia, e é quando vejo que eles começam a correr na nossa direção. Começamos a correr e de repente oiço um barulho. Era o Fábio a cair, olho para trás e os quatro rapazes estavam a pontapeá-lo no corpo todo. Eu estava enlouquecido, comecei a gritar: bandidos assassinos e só via o Fábio sangrando na perna, costas, nas mãos e cotovelos. Eu pensei que estava a socorrer alguém que estava a morrer», descreve.

A polícia apercebeu-se da agressão e dirigiu-se ao local mas, segundo Vítor, os agentes em vez de correrem, iam como se estivessem a caminhar à beira rio.

Os agressores acabaram por ser detidos, no sentido de pararem com as agressões. A PSP abriu o termo de notificação, deles como agressores e o casal como vítima. Depois de preenchido o auto de notificação, chegou a ambulância. Fábio foi atendido por um técnico de enfermagem e foram-lhe prestados os primeiros socorros.

Quando o 112 abandonou o local, para surpresa do casal, os agressores foram libertados pela polícia. Preocupados com o estado de Fábio, acabaram por ir até ao Hospital: «fomos às urgências do Hospital de São José, onde contrariamente ao que nos tinham dito, fomos rapidamente atendidos. O Fábio foi submetido a um raio x», conta Vítor.

Mas a história não ficou por aqui. Os jovens consultaram um advogado, que lhes confirmou que a polícia poderia ter detido os agressores logo na altura. Marta Ramos, da Ilga Portugal, aconselhou-os a dirigirem-se à PJ, por terem sido atacados por mais de um agressor.

O casal seguiu o conselho e dirigiu-se à esquadra da rua da Prata, onde estava o processo, para anexar o exame e as fotos das mazelas resultantes da agressão, ao mesmo.