07 out 2019 17:37

Rei Ghob: o serial killer, Francisco Leitão

A história que chocou o país com o desaparecimento de três jovens.

Francisco Leitão dizia que era bruxo, falava com espíritos e encarnava o diabo - e assim assustava e controlava os jovens que passavam pelo castelo da Carqueja, uma casa simples que herdou do pai e que mandou reconstruir. Conhecido por Rei Ghob, foi condenado, em 2012, a 25 anos de prisão por ter assassinado Tânia Ramos, Ivo Delgado e Joana Correia, na Lourinhã, cujos corpos nunca foram encontrados. Em setembro de 2017, voltou a ser condenado, por ter violado oito jovens, a 17 anos de prisão.

Quando a queixa de Maria de Fátima Silva, mãe de Joana Correia, chegou às mãos da Unidade Nacional Contra o Terrorismo da PJ, no início de março de 2010, as autoridades pensavam tratar-se de um único caso de desaparecimento. Passado menos de um mês, porém, a polícia já tinha em mãos três desaparecimentos. E todos com um nome em comum: Francisco Leitão.

Mas, afinal, quem é o Rei Ghob? Quais as motivações que estiveram por detrás de todos estes crimes?

Francisco José da Cruz Leitão nasceu a 28 de outubro de 1968, na Carqueja, Lourinhã, numa casa que pertenceu em tempos aos pais, José e Maria Idalina. Foi aí que viveu durante toda a vida. Na altura da sua detenção (2012), vivia na mesma moradia a irmã, com o então companheiro e os três filhos. Quem o conheceu diz que foi uma criança normal. Foi só quando cresceu que se tornou estranho, passando a preferir a companhia de adolescentes e só saindo de casa durante a noite.

Joana, Ivo e Tânia eram apenas três dos muitos jovens que frequentavam o castelo da Carqueja. A corte do Rei Ghob era muito maior e não se resumia apenas às terras vizinhas — o processo inclui até relatos de jovens residentes nas Caldas da Rainha. De acordo com Maria de Fátima, mãe de Joana, havia mesmo miúdos no norte de Portugal que conheciam Francisco Leitão. A fama do Rei Ghob terá até passado a fronteira e chegado a Espanha.

O seu método era simples: aliciava os adolescentes pagando-lhes bebidas e jantares, idas a discotecas e oferendo-lhes objetos de valor, como telemóveis e computadores. Alguns chegaram mesmo a receber dinheiro. A maioria vinha de famílias pobres ou tinha um historial problemático.

O mandado de detenção de 19 de julho de 2010, citado pelo Diário de Notícias, referia traços de esquizofrenia e psicopatia.

O Rei dos Gnomos nunca confessou os crimes de que foi acusado e mostrou até uma postura de desafio em relação às autoridades.

Depois de dois anos de investigação, Leitão foi julgado em 2012 e condenado no Tribunal de Torres Vedras a 25 anos de prisão, a pena máxima em Portugal, pela morte dos três jovens. Em 2017 é julgado por 542 crimes de violação e condenado a mais 17 anos por ter violado oito jovens. Encontra-se a cumprir pena no Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus, onde terá um comportamento exemplar.