01 ago 2019 19:22

Até que ponto a ansiedade pode atrapalhar a concretização de um sonho?

Cláudia e Hélder estão juntos há oito anos e para além do amor, tem mais duas coisas em comum: ambos sofrem de ansiedade e fobia social

Foi há cerca de dois anos que os primeiros sintomas começaram a aparecer, e Hélder descreve a sensação como “um grande aperto no peito", que lhe retirava a capacidade de conseguir controlar a respiração. "Aquilo assustou-me”, recorda. Teve o diagnóstico de ansiedade, potencial a depressão. Curiosamente, o primeiro ataque de pânico surgiu quando havia abrandado o ritmo de trabalho, para passar mais tempo em família.

Já para Cláudia, companheira de vida de Hélder, os sintomas de ansiedade e fobia social surgiram mais recentemente. Segundo a própria, o ruído da fábrica de cortiça, onde trabalha, terá contribuído para provocar as primeiras crises, e chegou mesmo a ter episódios de vómito.

Do relacionamento entre ambos, nasceram Tomé, de cinco anos, e Yara, de três. Mas um sonho ficou ainda por concretizar: o de se casarem. Chegaram a marcar uma data, mas um mês antes do casamento, os pensamentos negativos, de que tudo iria por água abaixo, ou a preocupação excessiva de voar de avião, voltaram a abalar o casal. A ansiedade extrema, de que ambos sofrem, acaba por sabotar e impedir que ambos realizem atividades simples, apesar do uso constante de medicamentos.

Não se sabe ao certo o que despoletou as crises de ansiedade e fobias sociais que impedem o casal de viver plenamente. Embora ambos continuem a trabalhar, vivem condicionados pelo medo constante da próxima crise que pode ocorrer no supermercado, ao conduzir ou até numa simples saída para ir jantar fora.

Hélder e Cláudia põem a hipótese dessas crises de ansiedade terem origem em episódios do passado, principalmente para ela. O filho mais velho do casal teve de ser hospitalizado, ainda em bebé, devido a três infeções urinárias. Mais tarde, quando tinha dois anos e meio, queimou 10% do corpo, após entornar um prato de pudim quente em cima dele. Na altura, Cláudia estava grávida da segunda filha e não pôde acompanhá-lo durante as duas semanas em que permaneceu internado. Ainda hoje sente a culpa, o que a leva às lágrimas, sempre que recorda esses momentos, que aconteceram há mais de três anos. Há um ano, Cláudia chegou a engravidar do terceiro filho, mas sofreu um aborto espontâneo.

Nos últimos dois meses, Cláudia chegou a perder oito quilos, pois as fortes dores de cabeça, os vómitos constantes e a pulsação acelerada acabam por impedi-la de comer. Apesar dos esforços médicos e dos medicamentos, nada estar a resultar definitivamente. Rosa Basto, a nossa hipnoterapeuta, propô-se a ajudar o casal, com o objetivo deste ter um casamento mais tranquilo e feliz.