13 nov 2019 20:09

Saiba quando deve levar o seu filho ao médico

O pediatra Hugo Rodrigues aponta 5 sintomas frequentes nas crianças.

1. Febre:

O primeiro conceito a reter é que a febre não é uma doença. É um sintoma, que geralmente surge associado a algum tipo de “agressão” externa, mais frequentemente uma infeção. A definição de febre depende do local onde a temperatura é medida, podendo ser utilizados os seguintes valores:



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• Rectal (medida no rabinho) – acima de 38 graus • Timpânica (medida no ouvido) – acima de 37,6 graus • Axilar (medida debaixo do braço) – acima de 37,5 graus

Trata-se de uma forma de defesa do organismo que serve essencialmente para ajudar a combater essa “agressão”, através dos seguintes mecanismos:

– Melhoria da capacidade de resposta do organismo – alguns dos nossos mecanismos de defesa ficam otimizados com a subida ligeira da temperatura corporal; – Inativação de alguns microrganismos – a elevação da temperatura faz com que alguns microrganismos percam agressividade, ajudando assim a combatê-los.

Quando se dá algum tipo de medicamento nessas situações, é importante realçar alguns aspetos:

• O tempo médio para começarem a atuar é de 30 minutos a 1 hora, pelo que não é esperado que haja uma resposta imediata; • Relativamente aos tradicionais banhos de água tépida e outras medidas de arrefecimento corporal, convém reforçar a ideia de que nem sempre são boa opção. Devem ser evitados quando a temperatura está a subir, ou seja, quando a criança está com as mãos frias, a pele mais pálida, os lábios arroxeados e com tremores.



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2. Tosse – amiga ou inimiga:

A tosse não passa de um mecanismo de defesa, que serve para limpar os pulmões e as vias respiratórias inferiores. No entanto, é importante perceber porque surge e, acima de tudo, quais os sinais de alarme a que se deve estar atento.

Sempre que alguma partícula estranha (microorganismo, poeira, líquido, expetoração, …) chega aos brônquios ou pulmões, a primeira resposta do organismo é tentar eliminá-la. Para isso, é desencadeado o reflexo da tosse, em que ocorre uma saída de ar forçada pela boca, a alta velocidade, arrastando consigo o que conseguir.

Uma vez que se trata de um mecanismo de defesa, não requer tratamento na maioria das vezes. De qualquer forma, há alguns procedimentos que devem ser adotados e que podem ajudar a aliviar o desconforto provocado pela tosse, tais como:

• Fazer uma boa higiene nasal, com ajuda de soro fisiológico ou um spray de água do mar; • Fracionar as refeições nos casos em que as crianças vomitam com a tosse, ou seja, dar mais vezes de comer, mas menos quantidade de leite/alimentos em cada refeição.



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SINAIS DE ALARME

A tosse é muito frequente e todas as crianças têm vários episódios em que tossem durante o ano. A maior parte dessas situações são “comuns” e pouco graves, mas há alguns sinais de alarme que os pais devem conhecer, tais como:

• Mau estado geral da criança • Febre alta, difícil de controlar • Falta de ar • Sinais de dificuldade respiratória (o nariz a abrir e fechar ou a pele entre as costelas a ir “para dentro e para fora” durante a respiração) • Tosse com mais de 3 semanas de duração, sem noção de melhoria • Vómitos persistentes • Dificuldade na alimentação • Guincho inspiratório entre acessos de tosse

É muito importante estar atento a estes sinais, porque a sua presença implica sempre uma observação médica mais urgente.

3. Dor de Barriga:

Quando uma criança se queixa de dores de barriga, convém que os pais estejam atentos a alguns sinais de alerta, que devem implicar uma observação médica mais urgente.

Os mais importantes são:



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• Dores que acordam a criança durante a noite; • Quando a criança não defeca há alguns dias, nem liberta gases (este último é um aspeto muito importante); • Sempre que existe palidez intensa ou mau estar geral da criança; • Presença de sangue nas fezes; • Associação a vómitos com agravamento progressivo; • Quando a criança localiza a dor num local afastado do umbigo (quanto mais afastada maior a probabilidade de haver uma causa a justificar a dor); • Associação a febre alta e difícil de controlar; • Associação a emagrecimento; • Alternância entre prisão de ventre e diarreia; • Dor muito localizada numa parte específica da barriga, que reage mal à medicação.

4. Vómitos:

O que fazer quando uma criança vomita?

Após o vómito aguarde cerca de 30 minutos e de seguida ofereça líquidos ao seu filho (de preferência um soro próprio que pode comprar na farmácia), cerca de 5 ml (colher de sobremesa), de 5 em 5 minutos.

Se ele estiver a tolerar e ingerir 1 copo de líquidos sem vomitar, pode reiniciar a sua dieta habitual (reduza apenas as gorduras e os açúcares). Os alimentos devem ser divididos em pequenas quantidades e repetidos várias vezes.



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Há alguns sinais de alarme nestas situações, que todos devemos conhecer, porque implicam uma avaliação médica urgente. Os mais importantes são os seguintes:

• Se a criança tem menos de 4 meses ou alguma doença crónica; • Se, para além dos vómitos, a criança apresenta algum dos seguintes sintomas: febre elevada (superior a 39ºC), prostração ou desorientação, agravamento das dores de barriga, manchas na pele; • Se o vómito contém sangue; • Se não urina há mais de 8 horas; • Se tem sinais de desidratação (olhos encovados, língua e lábios secos, choro sem lágrimas, etc); • Se suspeita que a criança tenha ingerido algum alimento ou substância tóxica.

A ter em atenção:

• Mesmo que o seu filho tenha muita sede não o deixe ingerir uma grande quantidade de líquidos de uma vez; • Outro aspeto a relembrar é que não deve forçar o seu filho a comer. Nestes casos, hidratar é muito mais importante do que alimentar; • É normal que o seu filho coma menos do que habitualmente, mas não precisa de fazer nenhuma dieta em particular.



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5. Diarreia:

A diarreia é um mecanismo de «limpeza» dos intestinos, que serve para eliminar microrganismos, partículas ou toxinas potencialmente nocivas. É uma forma do corpo se defender contra esse tipo de agressões e, de um modo geral, agrava depois da criança comer.

O que fazer?

Na maior parte dos casos, a medida a adotar é mesmo reforçar a hidratação da criança, de forma a compensar os líquidos que perde. No entanto, com as fezes perdem-se também alguns iões e minerais, sendo importante compensar essas perdas. Por esse motivo, a melhor forma de hidratar é através de um soro de hidratação oral (existem várias opções no mercado e à venda nas farmácias), sempre aos poucos para não encher demasiado o estômago, pois em caso contrário a criança pode começar a vomitar.

Quando procurar ajuda médica?

Na maior parte das vezes, a diarreia é autolimitada, ou seja, resolve-se com o tempo. No entanto é importante conhecer alguns os sinais de alarme que devem motivar uma observação médica urgente:

• Diarreia muito abundante; • Diarreia com grande quantidade de sangue; • Presença de pus nas fezes; • Recusa alimentar total ou quase total; • Alteração do estado de consciência; • Presença de sinais de desidratação; • Duração superior a 4-5 dias, sem noção de melhoria.