A morte de uma filha roubou a Isabel a vontade de sorrir

O sr. doutor devolveu a esperança a Isabel

A perda de uma filha nunca se ultrapassa e esse facto é bem visível em Isabel que se tornou uma mulher praticamente apática. Não sente ter muito mais pelo que viver, a não ser pelo neto e para a filha mais nova, que nunca conheceu a irmã Ana, falecida em 2004.
Isabel começou a namorar com Jorge aos 18 anos, casaram em 1984 e tiveram a primeira filha, Ana, quando Isabel tinha 20 anos. 15 meses depois chegou a filha Marta.
Ana começou a afastar-se da família após tirar a carta de condução. Corria o dia 3 de setembro de 2004. «A carrinha ao inclinar, bateu num poste… foi logo. Vi o aparato, o sangue a borbulhar na garganta. Chamei, chamei e nada. E a minha outra filha escapou porque vinha atrás, porque senão tinha ela apanhado também, ficava sem as duas nesse dia», conta Isabel. Ana ainda foi transportada para o hospital, tal como a irmã Marta, porque o coração manteve-se ligado às máquinas e só no dia seguinte é que se deu oficialmente a morte.
Cerca de um ano depois, o casal começou a falar em tentar ter outro filho. «Fomos ao médico, ver o que se passava, se era possível, porque eu tinha 41 anos mas o médica disse que estava tudo bem e normal», explica Isabel. Três meses depois, souberam da notícia de que iam ter uma menina: a Eva.
Relativamente à saúde oral, durante a infância, Isabel não teve nem pasta nem escova de dentes. Não se lembra quando surgiram os problemas dentários mas lembra-se que, quando conseguia ir ao dentista já era tarde demais. Estavam demasiado estragados. Chegou a ter uma prótese, mas já foi há muito tempo e atualmente não tem possibilidades para adquirir outra.
Quem incentivou Isabel a inscrever-se foi a amiga Rute.
Isabel vê poucas horas de televisão e só viu o Sr. Doutor um par de vezes, razão pela qual mal o reconheceu. Trocou-lhe o nome e chamou-lhe Ricardo porque, no meio das suas confusões, sabe que o último médico dentista que visitou, há mais de dois anos, se chama Ricardo.