“A minha mãe estava num trabalho de parto doloroso porque me tinha partido os pés”, começou por contar Kina, com uma sinceridade desarmante. “Marcou-me muito porque via todas as crianças a andar e a gatinhar e eu estava sempre ao colo.”
O relato, já de si forte, tornou-se ainda mais intenso quando a concorrente recordou a vaga de sarampo que assolou a sua zona. Kina acreditava ter escapado, mas acabou por adoecer. “Eu morro, tive uma paragem cardíaca, passam-me a certidão de óbito”, revelou. “Sonhei com um senhor de braços abertos, tinha um arco-íris. Queria ficar, mas uma voz disse-me: ‘não, tu vais voltar’.”
Ainda em criança, aos quatro anos, enfrentou mais uma provação quase inacreditável: “O meu irmão estava a brincar com uma arma carregada… Levei um tiro na cabeça. Não morri. Vivi.”
Comovida e serena, Kina prosseguiu a narrativa de uma vida repleta de obstáculos. Contou como viveu um casamento infeliz, marcado por ciúmes e controlo. “Fiquei sozinha, vim cá abaixo, fui pai e mãe, tinha dois trabalhos. Senti-me sozinha. Tudo o que conquistei era meu... Era dona de um palácio em Torres Novas, mas não era feliz.”
“O meu ex-marido tinha poder económico para me vigiar sem eu saber. Só soube aos 35 que aquele homem me vigiou a vida toda”, partilhou, num desabafo tocante sobre a perda de liberdade e autonomia.
A dor teve o seu ponto mais alto durante a pandemia. Kina recordou, em lágrimas, o momento em que tentou salvar o seu “primeiro amor”. “Ele falece nos meus braços. Se eu devia algo, se o fiz sofrer, eu paguei tudo.”
Veja o relato completo, no vídeo em baixo.
Com uma narrativa intensa e corajosa, Kina conquistou a empatia dos portugueses, ao revelar-se por inteiro — sem máscaras, sem filtros. Uma história de sobrevivência e de amor próprio, que ficará para sempre na memória dos que assistiram.
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