Luíza Abreu partilhou este domingo a sua Curva da Vida, num testemunho duro e emocionante: «Até aos oito anos fui vítima de violência doméstica. Foi aos meus oito anos no dia em que eu nasci, que a minha mãe teve coragem e saímos de casa para não mais voltar. A minha mãe salvou-nos».
«Aos meus 14 anos saímos do Porto e viemos para Lisboa. Começo a perder a minha identidade, deixo de ser chamada de Luísa e começo a ser chamada de outra coisa. Depois vêm as comparações e é muito ingrato. Mas eu sempre acreditei que havia lugar para mim», continuou Luíza.
A jovem acrescentou: «Aos meus 19 fico sem a minha independência, fiz-me à vida sem medo. Viajo para o Porto, a minha saúde começa a fragilizar-se, o meu cabelo começa a cair. Comecei a sofrer de anorexia nervosa. Não comia, ou quando comia deitava tudo fora. Saber que não tinha a minha mãe por perto mexeu com a minha cabeça».
«Quando soube que ia ser tia desmaiei de alegria, na minha segunda sobrinha lembro-me de ter pedido se podia ser madrinha, mas olharam para mim e perguntaram ‘o que é que tu tens? Ainda não percebeste que és a ovelha negra, o carrasco?' E eu saio de casa, com uma única mala», contou.
Luíza continuou: «Disse à minha mãe que não a estava a abandonar, mas a ir atrás do meu sonho. No dia do meu aniversário recebo uma chamada da minha mãe em que ela me diz ‘podes vir buscar a mamã?' E é a partir daqui que a história é contada ao contrário, começam as mentiras».
«E isto leva a minha mãe a um desespero tão grande que ela tentou pôr termo à vida dela. Encontro a minha mãe sem sentidos, eu reanimei a minha mãe. E quando tudo isto aconteceu eu vendo tudo e voltámos ao Porto», rematou a concorrente.