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Curva da vida de Sara deixou todos “sem chão”: «Porque é que me fizeram assim? Com 8 anos já tomava antidepressivos»

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Curva da vida de Sara deixou todos “sem chão”: «Porque é que me fizeram assim? Com 8 anos já tomava antidepressivos» - Big Brother

A concorrente partilhou uma emocionante curva da vida.

Sara abriu o coração este domingo, na gala do Big Brother Verão, ao partilhar a sua «curva da vida» e recordar alguns dos momentos mais difíceis que atravessou. Num testemunho emotivo, a concorrente falou sobre uma infância marcada pelo bullying, os problemas de saúde da mãe, uma experiência sexual não consentida na adolescência e uma relação amorosa marcada pela violência.

«A vida obrigou-me a crescer», começou por dizer Sara, recordando uma infância em que se descrevia como «muito feliz e extrovertida» antes de entrar no mundo do bullying.

A concorrente contou que, em criança, era «muito gordinha» e que passava muitos dias sozinha. Numa tentativa de a ajudar a sentir-se melhor consigo própria, a mãe decidiu fazer-lhe uma mudança no cabelo. Sara adorou o resultado, mas a alegria durou pouco. Ao chegar à escola, foi alvo de gozo por parte dos colegas.

«Cheguei à casa de banho e cortei», recordou, explicando como reagiu naquele momento de humilhação.

Mais tarde, mudou de escola na esperança de que a situação fosse diferente. «Pensei que ia ser diferente, ia ter amigos, mas não, foi mil vezes pior», revelou. Sara recordou os insultos de que era alvo e que a fizeram sentir-se excluída: «Chamavam-me vaca, porca, gorda, nojenta, caixa de óculos.»

Durante anos, tentou esconder o sofrimento. «Perguntei aos meus pais porque é que me fizeram assim», contou, descrevendo-se como «uma criança revoltada e triste». Segundo o seu relato, começou a tomar antidepressivos aos oito anos e chegou a sentir que aquela realidade «a estava a matar».

Aos 12 anos, Sara enfrentou outro momento particularmente difícil. A mãe descobriu que tinha um tumor cerebral e teve de ser submetida a uma operação urgente. A família viveu momentos de enorme medo perante a possibilidade de a cirurgia correr mal.

«Eu tinha 12 anos, estávamos com medo que corresse mal e pudéssemos não voltar a vê-la», recordou.

Foi nessa altura que sentiu, novamente, que a vida a obrigava a crescer. O pai precisava da ajuda dos filhos e Sara percebeu que a realidade familiar estava longe de ser «um mar de rosas».

Uma experiência que carregou em silêncio

A adolescência trouxe uma nova experiência traumática. Aos 14 anos, Sara contou ter perdido a virgindade «da pior maneira possível», depois de uma festa que «não correu como esperava».

Sem entrar em detalhes sobre o episódio, deixou uma mensagem dirigida a quem ultrapassa os limites dos outros: «Muitos homens deviam ouvir a palavra não e aprender que o que se passa aqui acompanha-nos a vida toda.»

Sara explicou que durante anos carregou sentimentos de vergonha por algo que, sublinhou, não tinha sido culpa sua. «Sentia-me envergonhada por uma coisa que não fui eu que fiz», afirmou.

Guardou o sofrimento para si durante quatro anos e só aos 18 conseguiu contar aos pais o que tinha acontecido. «Passei quatro anos a tentar esquecer, como se fosse possível», confessou.

Uma relação marcada pela violência

Já mais tarde, Sara conheceu o namorado, numa relação que acabou por assumir contornos de violência. A concorrente revelou que o companheiro era «muito agressivo» e que, nesses momentos, «tornava-se uma pessoa que eu não conhecia».

«Empurrou-me, fiquei com negras nos braços», contou.

A revelação deixou evidente uma vida marcada por diferentes formas de violência e sofrimento, desde o bullying na infância à violência numa relação amorosa, passando por uma experiência sexual não consentida que Sara demorou anos a conseguir verbalizar.

Ao partilhar a sua história diante dos colegas e do público do Big Brother Verão, a concorrente mostrou uma das dimensões mais vulneráveis da sua personalidade. Por detrás da participante extrovertida que hoje se apresenta no reality show existe uma história de sobrevivência, marcada por momentos em que, como própria reconheceu, «a vida» a obrigou a crescer demasiado cedo.

A «curva da vida» de Sara acabou, assim, por ser muito mais do que uma viagem pelo passado: foi um relato sobre dor, silêncio e a capacidade de continuar em frente depois de experiências que deixaram marcas profundas.