Durante anos, Joana Oliveira viveu uma infância marcada por abusos sexuais constantes por parte de um familiar. Sem perceber que era vítima, acreditava que aquilo fazia parte da normalidade. Só aos 12 anos, ao desabafar com uma vizinha, começou a compreender a gravidade do que vivia.
A infância de Joana Oliveira foi marcada por uma dor silenciosa que poucos conhecem: abusos sexuais repetidos por parte de um familiar até aos 12 anos. Uma realidade cruel que a acompanhou durante cerca de uma década e que moldou grande parte da sua adolescência.
Desde muito nova, Joana era deixada pelos pais aos cuidados desse familiar, seja após a escola ou durante as férias. Foi nesse ambiente que os abusos sexuais começaram e continuaram até que Joana recebeu o seu primeiro telemóvel, aos 12 anos.
Até então, para ela, aquilo era completamente normal. «Disse à minha vizinha num tom super orgulhoso que fazia aquilo com um familiar», recordou, numa mistura de inocência e confusão que só uma criança pode ter.
Foi graças à intervenção dessa vizinha que Joana percebeu que estava a ser vítima de abusos sexuais. «Tinha muita vergonha... tinha medo que não acreditassem em mim», confessou. O sentimento de culpa rapidamente a dominou, pois não queria denunciar os abusos sexuais para não dividir a família. Contudo, ao revelar o que se passava, Joana viu alguns familiares virarem-lhe as costas, aumentando ainda mais a sua dor e isolamento.
A revolta e a tristeza transbordaram durante a adolescência, período em que Joana teve uma fase rebelde. As notas começaram a piorar e ela fugiu de casa duas vezes. No entanto, mesmo no meio da tempestade, encontrou um raio de luz: o amor ao lado de Tomás, que lhe deu forças para contar a verdade e acreditar num futuro melhor.