Beatriz, de 19 anos, esteve entre a vida e a morte depois de um grave acidente de viação.
O dia 31 de janeiro de 2025 ficou para sempre marcado na vida de Beatriz Bastos. Numa viagem que começou com boa disposição, ao lado da irmã mais nova, Janete, tudo mudou em segundos. O carro despistou-se de forma violenta, capotou três vezes e deixou a jovem às portas da morte.
“Normalmente são os meus pais que vão buscar a minha irmã… naquele dia fui eu”, recorda Beatriz, que ainda hoje só consegue relatar o que aconteceu até ao momento do acidente. “A partir da via de aceleração, não me lembro de mais nada. Fiquei sem memória”, conta.
O cenário no local era de caos absoluto. Beatriz sofreu ferimentos gravíssimos, enquanto a irmã escapou com lesões ligeiras. Um acaso do destino viria a fazer toda a diferença: atrás do carro seguiam um médico e uma enfermeira, que prestaram os primeiros socorros. Ainda assim, nem a própria médica acreditava que Beatriz chegasse viva ao hospital.
A jovem sofreu hemorragias no cérebro e no fígado, um traumatismo craniano grave e múltiplas fraturas, ficando em risco de tetraplegia. Foram quase dois meses de internamento, entre 31 de janeiro e 1 de março de 2025, marcados por dores intensas, alucinações, dependência de medicação forte e uma luta diária pela sobrevivência.
“Era medicação a toda a hora. Foi complicado”, admite Beatriz, que teve de aprender a viver sem morfina e a lidar com as consequências físicas e emocionais do trauma.
O pai, Fernando Bastos, só soube do acidente horas depois. Passou pelo local do despiste antes de chegar ao hospital e percebeu, ali, a gravidade da situação. “Um cenário arrepiante. Só aí é que percebi”, recorda
. Ao ver a filha pela primeira vez, mal a reconheceu. “Ela estava toda desfigurada. As lágrimas caíram-me pela cara abaixo.”
A mãe, Sónia Bastos, fisioterapeuta, viveu o drama entre o papel de mãe e o de profissional de saúde, consciente de que Beatriz poderia nunca mais voltar a andar.
Contra todas as expectativas médicas, Beatriz recuperou de forma surpreendente. Hoje, apesar de algumas limitações na motricidade fina e das marcas psicológicas do stress pós-traumático, considera que a sua história é uma lição de vida.