Miguel está vivo por milagre, depois de um acidente de mota. No «Dois às 10», foram os pais que contaram a sua história, mas no final quis falar.
Tudo indicava que Miguel não iria sobreviver. O jovem sofreu um aparatoso acidente de mota que mudou para sempre a vida da sua família e deixou os médicos sem grandes esperanças. Mas Bruna, a mãe, agarrou-se à fé, à medicina e a uma força que nem ela sabia que tinha. Onze semanas depois, contra todas as probabilidades, Miguel acordou do coma.
A vida da família mudou por completo. Bruna deixou de ser apenas “a Bruna” para voltar a ser, acima de tudo, “a mãe do Miguel”. Dedica os dias à recuperação do filho, acompanhada pelo companheiro, Artur, que é padrasto de Miguel. O homem que fez Miguel falar durante a entrevista, reforçando: "Para mim, é pai", um momento que comoveu os apresentadores.
O acidente aconteceu quando Miguel, então com 24 anos, seguia de mota para ir ver um passeio de jipes com amigos. Um despiste provocado por um veículo em contramão, que fugiu sem prestar auxílio, acabou por ter consequências devastadoras. Ainda no local, Miguel entrou em coma e foi helitransportado para o Hospital São Teotónio, em Viseu.
Quando Bruna chegou ao local do acidente, o cenário ficou-lhe gravado para sempre na memória: muito sangue e a mota completamente destruída. Pouco depois, recebeu a notícia que nenhuma mãe está preparada para ouvir — o filho podia não sobreviver. Desesperada, fez uma prece difícil: pediu a Deus que levasse Miguel se não fosse para lhe dar uma vida com dignidade.
Durante as 11 semanas de coma, Miguel foi operado várias vezes. As lesões cerebrais foram extensas, cerca de 80% do cérebro ficou afetado, os órgãos ficaram comprometidos e sofreu múltiplas fraturas por todo o corpo. Bruna viveu esse período como um verdadeiro luto. “Perdi um filho ali”, confessa. E, ao mesmo tempo, começou a ganhar outro.
Para sobreviver à dor, Bruna refugiou-se na escrita. Criou um diário, onde despejava o medo, a angústia e a esperança, enquanto o filho lutava pela vida. “Tive de vestir uma capa para poder ser forte”, admite.
Quando Miguel acordou, nada voltou a ser igual. Ficou com sequelas graves: a fala, a memória e a parte cognitiva foram afetadas. Não é completamente autónomo e precisa de orientação para as tarefas diárias. Ainda assim, Bruna descreve o filho com orgulho: “Este Miguel é super especial. Carinhoso, forte e resiliente.”
Os progressos têm sido impressionantes. Há um ano, Miguel andava ao colo. Hoje, já caminha pelo próprio pé. Ainda enfrenta novas cirurgias, nomeadamente à perna direita, devido a um desnível que dificulta a marcha, e o futuro continua incerto. A família esgotou as poupanças e tenta agora angariar fundos para dar continuidade aos tratamentos.