José Maria Pyrrait continua a lidar com a dor do desaparecimento de Arran Strong, o surfista britânico de 27 anos que desapareceu no mar a 27 de julho, durante uma etapa da travessia em stand up paddle pela costa portuguesa.
Os dois tinham uma relação muito próxima, que José descreve como sendo quase de pai e filho. Conhecia Arran desde os 10 anos e o jovem passava fins de semana e férias em sua casa. Por isso, os últimos momentos que viveram juntos ficaram para sempre na memória de José.
Pouco antes de desaparecer, os dois tinham parado para beber água, tirar fotografias e gravar vídeos. José recorda que olhava frequentemente para Arran durante a travessia, mas, numa questão de minutos, tudo mudou.
Quando voltou a olhar para trás, viu apenas a prancha de Arran à deriva. «Lembro-me do desespero que foi ver aquela prancha sozinha no meio do mar», recordou.
José procurou o jovem incansavelmente, chegando a mergulhar várias vezes na esperança de o encontrar. O corpo de Arran nunca foi localizado.
Agora, ao recordar aqueles últimos momentos, José recupera também uma das últimas brincadeiras entre os dois. «Pyrrait! Orcas, orcas!», terão sido algumas das últimas palavras de Arran, numa referência divertida ao desejo que tinha de ver orcas.
O momento ganha um significado ainda mais especial perante a tragédia que aconteceu pouco depois. «Sinto um grande privilégio de ter sido a última pessoa a estar com o Arran», afirmou José, que considera que teve com o jovem uma ligação muito especial.
Arran tinha epilepsia e, segundo José, já tinha sofrido ataques epiléticos no mar. O surfista também não usava colete ou outros equipamentos de segurança durante a travessia.
Apesar da dor, José retomou a travessia pela costa portuguesa e passou novamente pelo local onde Arran desapareceu. Ao todo, percorreu cerca de 900 quilómetros, numa jornada que ficou inevitavelmente marcada pela ausência daquele que considerava como um filho.