Desporto nacional chora desaparecimento de atleta: «Sempre me disse que morreria novo»

  • Dois às 10

O surf português está de luto após o desaparecimento de Arran Strong, surfista britânico de 28 anos, radicado em Portugal há vários anos. O jovem desapareceu na segunda-feira, ao largo da Arrifana, em Aljezur, durante uma etapa de uma travessia em stand up paddle entre Monte Clérigo e a Carrapateira.

A notícia foi partilhada por José Maria Pyrrait, conhecido como "Pyrras", mentor e companheiro de Arran nesta aventura, através de uma emotiva publicação nas redes sociais. "Hoje foi um dia de perda irreparável e de tristeza profunda. O Arran Strong que me acompanhou durante a etapa entre a Zambujeira e Monte Clérigo, já não está entre nós", começou por escrever o atleta sobre o britânico que vivia em Portugal e que participava no campeonato nacional de Surf.

José Maria Pyrrait descreveu ainda os momentos que antecederam o desaparecimento. Paramos ao largo da Arrifana para beber água e tirar umas fotos. Estivemos ali uns minutos a conversar e, quando recomeçámos, deixei-o ir à frente. Como o meu ritmo é mais rápido, fazia sempre isso. Quando parei para esperar, vi a sua prancha à deriva a uns 100 metros de distância", recordou.

O mentor contou que remou imediatamente até ao local e mergulhou repetidas vezes à procura do jovem, mas sem sucesso. "Pedi ajuda ao meu parceiro em terra, que automaticamente acionou os meios de salvamento. Um pescador local recolheu-me e estivemos perto de duas horas e meia a percorrer toda a área envolvente. Ele está desaparecido até agora, infelizmente com praticamente nulas possibilidades de estar vivo", lamentou.

Na mesma publicação, José Maria Pyrrait deixou uma sentida homenagem a Arran Strong, revelando a ligação especial que os unia. "O Arran era como um filho para mim. Desde os 10 anos treinava comigo e passava os fins de semana e férias comigo. Como dizia à sua mãe, era como um filho de pais divorciados. O meu amor por ele era como mais um filho que a vida me deu", escreveu.

"Neste momento sinto uma dor profunda. Fica o ténue consolo de que partiu no mar, lugar que tanto amava. Descansa em paz, meu 'filho'", acrescentou, deixando um pormenor arrpiante: "Curiosamente, sempre me disse que morreria novo"

Segundo o Surf Total, a história de Arran Strong era marcada pela superação. Com apenas três meses de idade foi diagnosticado com deficiência de alfa-1 antitripsina, uma doença genética rara que afeta principalmente os pulmões e o fígado. Em 2018 sofreu ainda um ataque epilético que interrompeu temporariamente a carreira no surf, obrigando-o a um longo processo de recuperação e à adaptação da medicação devido à doença hepática.

Apesar das adversidades, nunca abandonou o mar. Encontrou no surf um refúgio e uma forma de ultrapassar as dificuldades, tornando-se também uma referência na sensibilização para as doenças raras e uma inspiração para muitos dentro e fora de água.

Nas redes sociais, são já vários os surfistas portugueses que prestam homenagens.

Sentiu a emoção desta história? Imagine vivê-la sem interrupções.
TORNE-SE PREMIUM

Fora do Estúdio

MAIS

Mais Vistos

Signos

Receitas

Conversas

Fotos