Uma dor de cabeça, inicialmente desvalorizada, acabou por esconder um diagnóstico que mudou tudo. Beatriz tinha apenas 21 anos quando sofreu um AVC isquémico e esteve entre a vida e a morte.
Uma dor de cabeça acabou por esconder um dos maiores sustos da vida de Beatriz. Tinha apenas 21 anos quando sofreu um AVC isquémico que a deixou entre a vida e a morte e obrigou toda a família a enfrentar momentos de desespero absoluto. "Tive a vida por um fio".
Tudo começou num dia aparentemente normal. Beatriz tinha ido à manicure e, já em casa, começou a sentir dores de cabeça intensas. A medicação habitual não surtiu efeito, mas o quadro agravou-se rapidamente. Foi a mãe quem percebeu que algo não estava bem, ao notar que a filha tinha o lado esquerdo do corpo “descaído”. “Não me passou pela cabeça um AVC, mas sabia que estava a acontecer alguma coisa”, recorda, ainda hoje emocionada.
O INEM foi chamado de imediato e, após vários exames no hospital, chegou a confirmação devastadora: Beatriz tinha sofrido um AVC isquémico. “Ficámos sem chão, com o coração acelerado. Fiquei super nervosa e só chorava”, contou a mãe, descrevendo o choque da notícia.
A jovem, por sua vez, não tinha verdadeira noção da gravidade da situação. Antes da cirurgia, a mãe chegou mesmo a despedir-se, temendo o pior. “Quando a vi entubada e com os fios todos, pensei o pior e comecei aos gritos”, confessou. A operação acabou por correr bem, apesar dos elevados riscos, e Beatriz permaneceu em coma induzido durante uma semana.
Quando acordou, não sabia ainda o que lhe tinha acontecido. O confronto com a realidade foi duro. “Porquê a mim?”, questionou-se, revoltada. Um dos maiores impactos foi a imagem refletida no espelho: Beatriz perdeu o cabelo devido à intervenção cirúrgica e ficou dependente de terceiros. “O peso maior que eu sentia era a imagem. Eu não gostava do que via”, assumiu.
Apesar de nunca lhe terem retirado a esperança, os médicos foram claros quanto à possibilidade de sequelas. Hoje, Beatriz está recuperada e orgulha-se do caminho feito. Evoluiu de forma significativa e enfrenta apenas algumas dificuldades ao nível da motricidade fina, resultado das lesões provocadas pelo AVC.
Ainda assim, permanece uma sombra que a acompanha diariamente. “Não sabendo a causa, ainda me preocupa mais”, admite, consciente de que o receio de uma recaída faz agora parte da sua vida.