O susto de saúde de Nuno Markl, na sequência de um AVC, voltou a colocar o tema na ordem do dia — sobretudo porque continua a ser uma das doenças cardiovasculares que mais mortes causa em Portugal.
O caso recente de Nuno Markl recorda o que os especialistas repetem há anos: reconhecer rapidamente um AVC salva vidas. A neurologista Isabel Henriques esteve no «Dois às 10» para explicar porque é que tantas pessoas — e também muitos jovens — continuam a desvalorizar os sintomas.
A médica sublinha que uma em cada três mulheres morre de causa cardiovascular, e que a demora em procurar ajuda é uma das razões que mais agravam as consequências.
Segundo a especialista, há três sinais de alarme que nunca podem ser ignorados:
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Assimetria facial — a chamada “boca ao lado”.
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Falta de força num braço ou perna, sobretudo de um dos lados do corpo.
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Dificuldade em falar, seja por discurso arrastado ou incapacidade de articular palavras.
“Perante qualquer um destes sinais, a pessoa deve chamar imediatamente o 112. Não é para esperar, não é para ver se passa. É para agir”, alerta.
A médica lembra que o AVC não escolhe idades: pode acontecer em crianças, adolescentes e até antes do nascimento. E reforça que 80% das doenças cardiovasculares podem ser prevenidas, com vigilância da tensão arterial, controlo da diabetes, colesterol e abandono do tabaco.
A história de Filipa Pinto, que sofreu um AVC aos 17 anos, ilustra bem esta realidade: jovem, saudável e sem fatores de risco aparentes.