Ignorar episódios frequentes de azia e refluxo gástrico pode abrir caminho para problemas de saúde mais graves, segundo uma médica especialista
Dor na parte superior do abdómen, na garganta ou no peito, tosse seca ou persistente após as refeições ou ao deitar, arrotos, azia, indigestão, náuseas, regurgitação, vómitos, mau hálito e flatulência são sinais comuns de que alguém pode estar a sofrer de refluxo. Apesar de frequentes, esses sintomas costumam ser ignorados. No entanto, é essencial estar atento, pois podem indicar a presença da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE).
«É uma forma crónica ou de longa duração do refluxo, que pode ocasionar problemas de saúde mais sérios. Nesse caso, é preciso procurar um médico gastroenterologista, especialista em doenças do aparelho digestivo, para avaliar a situação», explicou a médica brasileira Ana Santoro à revista Crítica, reforçando que muitas pessoas não sabem que sofrem de refluxo, algo que a maioria já experimentou em alguma fase da vida.
Como explica a médica, o refluxo gastroesofágico ocorre quando o conteúdo do estômago regressa ao esófago, o tubo muscular que conduz alimentos e líquidos da boca ao estômago. Quando o ácido gástrico entra em contacto com a parede do esófago, surge a conhecida azia, uma sensação incómoda de queimadura. A repetição frequente deste mal-estar pode ser um sinal claro de DRGE.
«É muito importante observar o nosso organismo e perceber quando um sintoma aparentemente simples e comum, como a azia, começa a tornar-se mais frequente», explicou a especialista ao mesmo site. «O tratamento, dependendo da gravidade dos sintomas, pode incluir alterações no estilo de vida, medicamentos ou até cirurgia. Manter uma boa alimentação e consultas médicas regulares é fundamental», acrescenta Ana Santoro.
A especialista sublinhou ainda que muitos não procuram tratamento para aliviar a azia e a má digestão porque acreditam que esses desconfortos decorrem apenas da alimentação. Há uma falsa ideia de que os sintomas irão desaparecer espontaneamente e sem causar danos, mas essa interpretação é incorreta.
«A azia ocorre pelo refluxo do ácido presente no estômago, e este composto químico é extremamente prejudicial ao esôfago. Quando não tratadas, a azia e a má digestão podem acarretar problemas maiores, afetando a qualidade de vida e prejudicando o sono», alerta a médica na mesma entrevista. «Não enxergar esses dois sintomas como algo grave é um grande erro», reforça.
Para combater a azia, uma das principais recomendações é moderar a alimentação, evitando pimentas, chás, café e bebidas gaseificadas. Pode também usar um protetor gástrico. Entre os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da doença estão: obesidade, gravidez, toma de antagonistas dos canais de cálcio e o uso frequente de anti-histamínicos, analgésicos, sedativos ou antidepressivos.
Consequências possíveis:
1. Esofagite
Inflamação crónica do esófago causada pela exposição contínua ao ácido.
2. Úlceras esofágicas
Feridas que podem sangrar, causar dor intensa e dificuldade em engolir.
3. Estenose esofágica
Cicatrização e estreitamento do esófago, dificultando a passagem dos alimentos.
4. Esófago de Barrett
Alteração das células do esófago devido ao dano ácido persistente; aumenta o risco de cancro do esófago.
5. Maior risco de adenocarcinoma do esófago
Complicação rara, mas grave, associada ao esófago de Barrett não vigiado.