Com base em vários estudos, especialista não hesita em apontar uma meta etária para cortar totalmente com o álcool
Num momento em que surgem estudos que até parecem sugerir benefícios no consumo moderado de álcool, recordamos um alerta do neurologista norte-americano Richard Restak: é um erro baixar a guarda. Em declarações publicadas num artigo da sua autoria no jornal britânico Daily Mail em 2023, o especialista reforçava que mesmo quantidades reduzidas de álcool podem ser nocivas para o cérebro.
“É difícil aceitar que o álcool, que se sabe provocar a morte de células cerebrais, possa ser inofensivo — quanto mais benéfico — no contexto da demência”, defendeu o especialista. O médico vai mais longe, afirmando que o consumo, seja leve ou moderado, afeta não só a memória, mas o funcionamento global do cérebro: “Não há provas de que o álcool ataque apenas a memória e poupe as restantes funções cognitivas. Na verdade, os seus efeitos são amplamente prejudiciais e, a longo prazo, podem culminar em demência”.
Entre os estudos citados está uma investigação conduzida em França, que analisou mais de um milhão de diagnósticos de demência. Os dados foram claros: o consumo excessivo de álcool revelou-se um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença, ultrapassando até riscos tradicionalmente associados, como hipertensão ou diabetes.
Também no Reino Unido, uma análise envolvendo cerca de 25 mil pessoas reforçou a ideia de que não há um nível seguro de ingestão de álcool. Os investigadores identificaram mudanças no cérebro ligadas à perda de memória e à progressão de demência, mesmo em consumos considerados moderados.
Com base nestas conclusões, Richard Restak não hesita em apontar uma meta etária para cortar totalmente com o álcool: “Aos 65 anos, já perdemos uma quantidade significativa de neurónios. Por isso, faz sentido eliminar o álcool a partir daí, ou idealmente antes. Recomendo a todos os meus pacientes que deixem de consumir álcool até aos 70 anos, no máximo”, conclui o especialista.