"Chamaram-nos para nos despedirmos da nossa filha". A história de Benedita está todos. Saiba como pode ajudar
Até dezembro do ano passado, Benedita era uma criança saudável. Tinha apenas dois anos quando uma gripe aparentemente normal transformou por completo a vida da menina e da sua família. O que começou com sintomas semelhantes aos de uma constipação acabou por revelar um cenário devastador: o vírus da gripe A alojou-se no cérebro da criança, deixando sequelas graves e permanentes.
Tudo aconteceu muito rapidamente. Depois de ser observada no centro de saúde e diagnosticada com uma constipação comum, Benedita sofreu duas convulsões e foi internada nos cuidados intensivos. Os médicos descobriram então que o vírus da gripe A tinha provocado uma infeção cerebral grave. "O vírus da gripe alojou-se no cérebro. Deram 78 horas de vida", recorda a mãe, Catarina. O prognóstico era tão reservado que os pais ouviram palavras que nunca imaginaram escutar. "Chamaram-nos para nos despedirmos da nossa menina", conta o pai, Bruno, ainda emocionado. "Senti que nunca mais ia ver a minha menina."
Seguiram-se dias de angústia, incerteza e luta. Benedita entrou em coma, chegou a ser reanimada no hospital e recebeu até a visita de um padre. Como se não bastasse, na mesma noite em que a filha foi internada, a irmã também sofreu uma convulsão e teve de ser hospitalizada. Catarina e Bruno viveram o pesadelo de ter as duas filhas internadas ao mesmo tempo. "Ninguém está preparado. Eu, como mãe, não estava", confessa.
Quando acordou do coma, Benedita já não era a mesma. Deixou de andar, de falar e de comer sozinha. Atualmente é alimentada por sonda e necessita de acompanhamento permanente. "Tinha uma criança normal e agora está dependente de mim para tudo. Não consigo aceitar", desabafa a mãe. A pequena esteve internada durante mais de dois meses e, desde então, já voltou ao hospital por várias ocasiões. A recuperação continua a ser um caminho longo e cheio de desafios.
A vida da família mudou completamente. Catarina tornou-se cuidadora a tempo inteiro da filha e acompanha-a 24 horas por dia. "Estou 24 sobre 24 com a Benedita", explica. Durante a noite, levanta-se várias vezes para a virar na cama e garantir o seu conforto. Apesar do sofrimento, nunca deixou de acreditar. "Filha, aguenta que nós vamos aguentar as duas. E o pai também tem de aguentar", recorda. Quando questionada se chegou a zangar-se com Deus, responde apenas: "Não. Só lhe pergunto porquê."
Hoje, Benedita continua a precisar de terapias para melhorar a sua qualidade de vida e recuperar algumas capacidades perdidas. Para fazer face às despesas e garantir os tratamentos necessários, os pais criaram uma página solidária onde apelam à ajuda de todos. Um gesto de esperança para uma família que viu a sua vida mudar em poucos dias.