Adriana Nogueira tinha apenas 15 anos quando viu a sua vida mudar por completo. Depois de ser diagnosticada com um linfoma e de enfrentar dois anos de tratamentos, acreditava que o pior tinha ficado para trás. No entanto, o verdadeiro pesadelo começou quando regressou à escola.
No programa "Dois às 10", da TVI, Adriana recordou o percurso de luta contra a doença e emocionou-se ao revelar o impacto que o bullying teve na sua vida.
Tudo começou com sintomas aparentemente comuns: cansaço constante, necessidade de dormir mais horas, dores intensas num braço e um alto que surgiu no pescoço. O diagnóstico acabou por confirmar um linfoma, com gânglios afetados nas axilas e no pescoço e uma massa no tórax.
O momento mais duro aconteceu ainda na primeira consulta. «Perguntei à médica se ia perder o cabelo e ela disse que sim. Foi aí que me caiu a ficha. Chorei, gritei…», recordou.
Apesar do medo, Adriana conseguiu transformar um dos dias que mais temia numa memória menos dolorosa. Quando lhe raparam o cabelo, viu-se imediatamente ao espelho já com uma peruca colocada.
Depois de meses de quimioterapia e de uma longa batalha, chegou finalmente o momento de tocar o sino da esperança, símbolo do fim dos tratamentos. Contudo, ao regressar à escola, encontrou uma realidade completamente diferente daquela que imaginava. «Achava que ia ter todo o apoio do mundo, mas aconteceu precisamente o contrário», revelou.
Adriana começou a ser alvo de comentários cruéis por parte de alguns colegas, que gozavam com a sua aparência e com a peruca. O pior de todos continua gravado na sua memória. «Dos piores comentários que me disseram foi que devia ter morrido com o cancro», contou, emocionada.
As humilhações tornaram-se constantes e a jovem admite que deixou de conseguir lidar com a pressão. «Depois de lutar contra um linfoma, tive de lidar com o bullying na escola», desabafou. O sofrimento foi tão intenso que acabou por tentar pôr termo à própria vida.
Ao lado da mãe, Margarida, Adriana recordou que ligava frequentemente a chorar para ser levada para casa, incapaz de suportar o ambiente escolar.
Hoje, apesar de continuar com receio de que a doença possa regressar, Adriana espera que a sua história sirva para alertar para a importância de combater o bullying e mostrar que as palavras podem deixar marcas tão profundas quanto uma doença.