Tiago Cacais não esquece a noite que quase o matou. Além das marcas físicas, as psicológicas também permanecem.
A 24 de outubro de 2024, a vida de Tiago Cacais, motorista da Carris, mudou para sempre. Durante os tumultos que seguiram a morte de Odair Moniz, o autocarro que conduzia foi atacado e incendiado com ele lá dentro, num dos episódios mais violentos registados naquela noite. Hoje, Tiago luta para recuperar a vida que tinha — e tenta encontrar respostas para aquilo que ainda não compreende.
No «Dois às 10», Tiago recordou os minutos de terror que viveu quando um grupo o impediu de abandonar o autocarro e começou a deitar fogo ao veículo. «Pedi para sair do autocarro, mas não me deixaram», revelou, emocionado.
Entre o fumo espesso, o cheiro a gasolina e as chamas que se espalharam em segundos, Tiago manteve um instinto de sobrevivência que lhe salvou a vida. Mesmo assim, sofreu queimaduras de segundo e terceiro graus, esteve uma semana em coma, e ainda hoje vive acompanhado por dores, limitações físicas e traumas profundos.
Antes da tragédia, Tiago era um homem ativo, trabalhador, dedicado à família e ao emprego. Hoje, luta para reencontrar o equilíbrio: deixou de trabalhar, está em acompanhamento psicológico e psiquiátrico e tenta reconstruir-se física e emocionalmente.
Tudo isto enquanto cuida do pai, que sofre de Alzheimer — uma responsabilidade que se tornou ainda mais pesada desde o acidente.
O motorista revelou ainda um dado surpreendente: em 2018 combateu e venceu um tumor. Nunca imaginou que, seis anos depois, teria de enfrentar um desafio ainda maior.