No «Dois às 10», um dos comentários mais inesperados surgiu durante a análise ao vandalismo no cemitério de Alhos Vedros. Albino Gomes, consultor forense, recordou um caso insólito em que um ladrão acabou inconsciente depois de ficar preso debaixo de um caixão com mais de 100 quilos.
O grave episódio de vandalismo no cemitério de Alhos Vedros, na Moita — onde vários jazigos foram destruídos, caixões partidos e cadáveres expostos — continua a chocar o país. No «Dois às 10», Albino Gomes, consultor forense, analisou o caso e recordou um episódio semelhante que enfrentou no terreno.
Durante a conversa, revelou que já tinha assistido a um cenário praticamente idêntico: «Já tive um caso desses num cemitério na Margem Sul. No INEM fomos para uma ‘vítima inconsciente’. Eu achei que podia ser uma brincadeira, mas depois percebemos que eram furtos e que eram jovens toxicodependentes que iam roubar cobre e pratas das molduras dos jazigos.»
O especialista explicou ainda como a situação terminou de forma dramática para um dos suspeitos: «Estes indivíduos estavam inconscientes porque um dos caixões, com chumbo, pesa mais de 100 quilos, e ele ficou por baixo do caixão.»
A descrição levou Cláudio Ramos a reagir em estúdio com um comentário espontâneo: «Um morto a matar um vivo.»
Cemitério de Alhos Vedros vandalizado
O caso que motivou o debate no programa ocorreu na noite de segunda-feira. Pelo menos quatro jazigos foram vandalizados no cemitério de Alhos Vedros, com relatos de campas abertas, caixões destruídos e cadáveres expostos e até desmembrados.
O alerta foi dado pelo pároco da freguesia na manhã de terça-feira. No local estiveram o cardeal Américo Aguiar, o presidente da câmara, o presidente da junta, elementos da GNR, bombeiros e técnicos do Instituto de Medicina Legal.
O bispo de Setúbal condenou o acontecimento, afirmando à CNN: «Um ato desta gravidade atinge a dignidade intrínseca da pessoa humana, fere a memória dos que já partiram e causa sofrimento acrescido às famílias.»
As investigações continuam, enquanto a comunidade permanece em choque perante a dimensão e brutalidade do ato.