Comer duas maçãs por dia pode ajudar a reduzir o colesterol e melhorar a saúde do coração, segundo um estudo científico. A explicação está na fibra e nos polifenóis presentes na fruta inteira – benefícios que se perdem quando consumida em sumo.
Já todos ouvimos falar da importância de comer fruta e legumes diariamente. O NHS, o Serviço Nacional de Saúde britânico, lembra que cumprir a regra dos cinco por dia pode reduzir o risco de AVC, cancro do cólon e doenças cardíacas.
Uma das razões é o facto de os alimentos frescos serem ricos em fibra — um nutriente essencial para a saúde, mas que apenas 10% das pessoas consome em quantidade suficiente (cerca de 30g por dia).
E um estudo publicado no American Journal of Clinical Nutrition em 2019 trouxe novas evidências: duas maçãs por dia podem ajudar a baixar o colesterol em pessoas com níveis ligeiramente elevados.
O que descobriram os investigadores?
Participantes com colesterol moderadamente alto receberam, ao longo da experiência, maçãs inteiras da variedade Renetta Canada, ricas em polifenóis (em particular, proantocianidinas). Outro grupo recebeu um sumo concentrado feito a partir dessas mesmas maçãs.
Apesar de terem quantidades semelhantes de açúcar e calorias, havia uma diferença marcante: as maçãs forneciam 8,5g de fibra e 2,5g de polifenóis, enquanto o sumo tinha menos de 0,5g de fibra e 990mg de polifenóis.
No final, o grupo que comeu a fruta viu o colesterol LDL — conhecido como “mau colesterol” — baixar 4%, além de melhorias nos indicadores de saúde vascular. Já no grupo do sumo, não se registaram alterações relevantes.
Maçã ou sumo? A diferença está na fibra
Segundo o autor do estudo, Dr. Thanasis Koutsos, ainda não é claro se o resultado se deve sobretudo à fibra ou aos polifenóis. Mas uma coisa é certa: “O grande vencedor é o alimento inteiro”.
Este dado vai ao encontro de outras investigações que apontam o consumo de fruta inteira como mais benéfico do que o sumo. Aliás, um estudo de 2013 sugeriu que beber sumo de fruta diariamente pode aumentar em 21% o risco de diabetes, enquanto comer fruta inteira pelo menos duas vezes por semana pode reduzir esse risco em 23%.
Deve trocar medicamentos por maçãs?
Apesar dos resultados animadores, especialistas alertam para não exagerar. O Professor Tim Chico, especialista em Medicina Cardiovascular, sublinhou que o efeito no colesterol é muito pequeno quando comparado com a toma de estatinas.
Por isso, a conclusão é simples: não substitui medicamentos, mas confirma que uma alimentação rica em fruta e legumes — aliada ao exercício físico regular, não fumar e manter um peso saudável — é essencial para proteger o coração.