Dá banho, veste e alimenta a mãe. Aos 17 anos, Letícia é cuidadora e ainda gere o pouco dinheiro que têm

  • Dois às 10
  • 10 set 2025, 17:14
leticia
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Ana Bela descobriu que tinha uma malformação cerebral inoperável e ficou totalmente dependente. Com apenas 14 anos, a filha teve de crescer à força

Recebemos nos Dois às 10 Ana Bela Louro e a filha, Letícia Cunha. O testemunho de ambas deixou o estúdio em silêncio e o coração de todos apertado: aos 17 anos, Letícia é a única cuidadora da mãe, completamente dependente depois de uma sucessão de AVC’s e de um diagnóstico cruel.

Em maio de 2022, Ana Bela descobriu que tinha uma malformação cerebral inoperável, descrita por si como “viver com uma bomba-relógio que a qualquer momento pode rebentar”. Desde então, a vida nunca mais foi a mesma. Já sofreu quatro AVC hemorrágicos, que lhe deixaram sequelas graves e a tornaram incapaz de trabalhar ou de se cuidar sozinha. Hoje, não consegue tomar banho, comer ou andar sem ajuda.

E é Letícia, a filha adolescente, quem assume o papel de cuidadora. Desde os 14 anos que a jovem organiza o dia em função da mãe: ajuda-a a vestir-se, faz-lhe as refeições, apoia-a nos momentos de crise e cuida da casa. Muitas vezes, deixa de ir à escola para estar presente. Confessa que tem perdido parte da juventude, mas não imagina a vida sem a mãe: “Deixar a minha vida para segundo plano e pôr a da minha mãe em primeiro custa… mas faço tudo por amor”, contou.

Do outro lado, Ana Bela carrega um peso emocional avassalador. Entre lágrimas, admitiu sentir-se um fardo para a filha: “Nunca mais consegui fazer nada e tornei-me um estorvo para a minha filha. Se pudesse, matava-me, porque é um peso muito grande em cima de mim”. Mas Letícia não deixa margem para dúvidas: “Mãe não é só para quando somos pequenos”, disse, numa frase que resume a coragem e a entrega desta jovem de apenas 17 anos.

Apesar da força que mostram, mãe e filha vivem com enormes dificuldades. Ana Bela chegou a estar num lar, mas teve de sair quando terminou o tempo permitido. Atualmente frequenta um centro de dia, embora o apoio não seja suficiente para as suas necessidades.

Dependente para se deslocar e com crises de pânico e epilepsia frequentes, precisa de fisioterapia especializada e de uma habitação adaptada, sem escadas.

No estúdio do Dois às 10, ficou claro que esta não é apenas uma história de luta contra a doença. É também uma história sobre uma mãe que se sente culpada e uma filha que teve de crescer demasiado cedo. Ana Bela descreve Letícia como “uma guerreira”.

Sentiu a emoção desta história? Imagine vivê-la sem interrupções.
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