Especialistas recomendam manter entre 70 e 100 euros à mão — um conselho simples, mas que é muitas vezes ignorado. Descubra porque este gesto aparentemente banal pode proteger o seu dia a dia
Pela primeira vez num documento oficial, o Banco de Portugal recomenda que os cidadãos mantenham algum dinheiro físico disponível. A sugestão surge na sequência de uma avaliação sobre os constrangimentos causados pelo apagão de 28 de abril, que dificultou levantamentos e pagamentos eletrónicos para muitos portugueses.
Outros países europeus também aconselham ter uma reserva de emergência em dinheiro para situações como apagões, ciberataques ou desastres naturais, embora isso levante questões de segurança doméstica. Em Portugal, apesar do número de furtos em residências estar em queda, registaram-se cerca de 12 mil assaltos no último ano, ou seja, em média 33 por dia. Por isso, especialistas recomendam guardar apenas uma quantia razoável para dois ou três dias de compras essenciais, de preferência num cofre seguro, e manter discrição quanto ao montante.
A DECO, através de Natália Nunes, apoia a recomendação do Banco de Portugal, afirmando que o princípio já deveria estar interiorizado e praticado. A Autoridade Europeia Bancária e a Comissão Europeia também tinham indicado, após apagões anteriores, a necessidade de ter em casa um pequeno valor para emergências, adaptado às características de cada família e aos gastos essenciais com alimentação e transporte, sugerindo valores na ordem de 70 a 100 euros.
Rute Marques, gestora de acompanhamento ao investidor, nota que o uso de dinheiro físico está a decrescer, com muitas pessoas a saírem apenas com telemóvel para pagamentos via MBWay, sem sequer levarem cartão. No caso de um apagão, esta situação deixa as famílias sem recursos imediatos para necessidades básicas, como comprar alimentos ou um rádio a pilhas. As recomendações devem ser seguidas com atenção, mas sem alarmismo, limitando-se a um valor destinado a necessidades essenciais, sem colocar em risco a segurança financeira.
A jornalista Isabel Loução Santos acrescenta que guardar dinheiro em casa implica perda de valor devido à inflação, uma realidade reforçada pelo facto de a taxa média dos depósitos em Portugal estar abaixo da inflação esperada para o próximo ano.