Cátia Rodrigues vive um drama familiar desde abril, quando foi despejada com a família após uma rescisão de contrato. Sem alternativa, passaram quatro dias a viver dentro de um carro.
«O meu maior medo é que me retirem os filhos»
Cátia Rodrigues, o marido e os três filhos — duas meninas e um menino com autismo nível 3 — viveram o impensável. Após uma rescisão de contrato em abril, a família ficou sem teto e viu-se obrigada a passar quatro dias a viver dentro de um carro.
“Era encontrarmos um sítio calmo e seguro para ter os meus filhos”, recorda Cátia, emocionada, ao relatar os dias em que a viatura se tornou o único abrigo da família. Com o banco traseiro rebatido, tentavam oferecer o mínimo de conforto aos filhos. “Era muito difícil acalmar as crises do meu filho dentro de um carro”, admite, referindo-se aos episódios associados ao transtorno do espetro do autismo.
A situação era tão delicada que os filhos perguntavam diariamente: “Quando vamos para uma casa?”. Para Cátia, cada dia sem respostas era um golpe difícil de digerir: "Sinto que falhei como mãe".
Com a ajuda de um grupo no Facebook e o apoio da Câmara Municipal de Sintra, a família conseguiu abrigo temporário numa pensão durante nove dias. No entanto, o futuro continua incerto.
“Não estou a pedir uma casa por pedir. Eu preciso mesmo de ajuda. Os meus filhos têm direito a um lar digno”, apela a mãe, com a voz embargada. Cátia espera que, após nova avaliação da Câmara, seja reconhecida a urgência da situação e que a família possa finalmente ter um lar seguro e estável.