A vida de Ana Ferreira ficou marcada por sucessivas tragédias, mas a vontade de garantir um futuro melhor aos três filhos nunca desapareceu. Convidada do programa "Dois às 10", da TVI, a mulher contou um percurso de vida dramático que a levou, atualmente, a pedir ajuda na rua para conseguir sustentar a família.
Há cerca de um ano e meio, Ana desloca-se regularmente até à Rua de Santa Catarina, no Porto, onde pede dinheiro. Sem esconder a realidade, garante que não sente vergonha.
A dificuldade em encontrar trabalho está, segundo a própria, relacionada com as marcas profundas que carrega desde bebé. Com apenas um ano de idade, sofreu um grave acidente com uma vela que lhe provocou queimaduras no rosto e nas mãos, obrigando-a a passar anos entre hospitais e tratamentos.
Apesar de ter formação como auxiliar educativa, diz que nunca conseguiu uma oportunidade profissional devido ao aspeto físico.
Depois de uma infância e adolescência marcadas pelas dificuldades e pelo bullying, Ana acreditou ter encontrado estabilidade ao lado de Paulo, pai da sua filha mais velha. No entanto, a felicidade durou pouco. Grávida de três meses, viu o companheiro ser assassinado dentro da própria casa pelo senhorio, devido a uma renda em atraso de 180 euros. Na mesma noite, foi também baleada e esfaqueada pelo agressor, sobrevivendo ao ataque.
O homem acabaria por ser condenado a 17 anos de prisão.
Anos mais tarde, Ana refez a vida e foi mãe de mais dois filhos. Entretanto, voltou a ficar sozinha e enfrenta dificuldades económicas que a levaram a recorrer à solidariedade de quem passa na rua.
Mesmo perante tantas adversidades, garante que nunca baixa os braços. "Prefiro pedir na rua do que ficar parada. Tenho que me mexer."
Hoje, a prioridade continua a ser apenas uma: proporcionar uma vida digna aos filhos e continuar a acreditar que dias melhores ainda podem chegar.