Com uma filha totalmente dependente e uma esperança de vida limitada, Cristela vive com o medo constante de morrer e a deixar sem cuidados, uma angústia que a levou a tomar a decisão mais difícil da sua vida.
Cristela Araújo tem 55 anos e uma preocupação que a acompanha todos os dias: o futuro da filha, Leonor. Dependente a tempo inteiro e diagnosticada com Síndrome de Rett, a jovem vive com uma esperança de vida limitada e necessita de cuidados permanentes.
A decisão mais difícil da vida de Cristela não teve nada a ver com desistir — teve tudo a ver com amar. Antecipando a própria morte, os pais de Leonor decidiram inscrevê-la numa instituição, garantindo que, caso algo lhes aconteça, a filha continuará a ter cuidados.
Leonor não fala, não anda e não consegue comer sozinha. Tem crises frequentes de epilepsia e, segundo Cristela, qualquer uma delas pode ser fatal. “Nunca sei onde lhe dói. Custa tanto”, desabafa, revelando o peso emocional de cuidar de uma filha que não consegue expressar o sofrimento.
Cristela deixou de trabalhar para cuidar da filha a tempo inteiro. A gravidez já tinha sido complicada, o parto difícil, e antes de Leonor houve um aborto. Nada, ainda assim, a preparou para o que viria depois.
Apesar do medo constante, Cristela recusa viver apenas na dor. Agarra-se à esperança, à presença diária da filha e à certeza de que está a fazer tudo o que pode por ela — mesmo quando isso implica decisões que partem o coração.