Aos 25 anos, Ana Filipa carrega uma história de dor e resiliência. Viveu a infância marcada pela pobreza extrema — chegou a morar num carro com os pais e a depender da solidariedade de restaurantes para comer —, enfrentou o medo constante do pai, foi vítima de bullying na escola e, sem um lugar de paz, tentou pôr termo à vida. Hoje, reconhece que foi a irmã quem, sem saber, lhe salvou a existência.
Aos 25 anos, Ana Filipa já viveu mais dores e recomeços do que muitos numa vida inteira. Cresceu marcada pela pobreza, pelo medo do pai e pelo bullying na escola. Passou pela depressão, enfrentou uma relação tóxica e esteve à beira de desistir da vida. Hoje, sobreviveu para contar a sua história — e para inspirar quem atravessa as mesmas batalhas.
Infância dura e sem lugar seguro
Ainda criança, Ana Filipa viveu com os pais e a irmã dentro de um carro, depois de a família perder a casa por dificuldades financeiras. Muitas vezes, só conseguiam comer graças à generosidade de restaurantes que ofereciam comida no final do dia.
A separação dos pais trouxe-lhe outro desafio: viver com o pai, que oscilava entre momentos de calma e explosões de raiva, agravadas pelo álcool. “Morar com o meu pai era tenso. Nunca sabíamos como ele ia estar”, recorda.
Na escola, a jovem também não encontrava refúgio. Era alvo de bullying por ser pobre e por ter os pais separados.
O momento de rutura
Sem apoio e sem um porto seguro, Ana começou a ter pensamentos menos bons. Um dia, decidiu acabar com a vida. Fechou-se na casa de banho, mas foi interrompida pela irmã, que chegou a casa inesperadamente. “Ela até hoje não sabe que foi a pessoa que me salvou. É por causa dela que estou viva”, revela, emocionada.
Da violência ao recomeço
Já na fase adulta, Ana acreditou ter encontrado o “príncipe encantado”, mas acabou por mergulhar numa relação tóxica marcada por manipulação, pressão psicológica e violência. Muitas vezes cedia a relações sexuais só para evitar discussões. A depressão regressou em força. “A minha higiene era nula, aquilo não era um quarto, era uma pocilga”, admite.
No limite, gravou um vídeo a mostrar a realidade em que vivia e enviou-o à mãe, com uma mensagem desesperada: “Preciso de ajuda. Não aguento mais”. Foi nesse momento que começou o caminho da recuperação.
Uma nova vida
Ana encontrou forças para terminar a relação e denunciou o ex-companheiro à polícia, depois de receber mensagens de ameaça. Mais tarde, encontrou o amor ao lado de João Rodrigues.
O casal enfrentou uma perda gestacional, mas em 2025 receberam o maior presente: a filha Íris, que hoje tem quase três meses. Durante uma viagem a Roma, João pediu Ana em casamento.
Hoje, Ana fala com coragem sobre a sua história. Quer dar voz à dor, mas sobretudo mostrar que é possível renascer depois de uma vida desfeita.