Fernando Correia emociona Cristina Ferreira ao falar da mulher, que vive com Alzheimer há mais de 20 anos: «Aprendi com ela o que era o amor»

  • Dois às 10

Fernando Correia esteve no programa Dois às 10, da TVI, onde conversou com Cristina Ferreira sobre a sua longa carreira, que já soma 70 anos, mas também sobre um dos capítulos mais marcantes da sua vida pessoal: a doença da mulher, Vera.

O jornalista e radialista, que recentemente lançou o livro Piso 3/4/303, revelou que a companheira foi diagnosticada com Alzheimer quando tinha apenas 59 anos e que a doença transformou profundamente a vida da família. “Praticamente não são mais anos de doença do que de vida, mas qualquer dia é”, confessou.

Atualmente com 82 anos, Vera está internada há 14 anos na Casa de Saúde das Irmãs Hospitaleiras, uma decisão que Fernando Correia admite ter sido difícil, mas inevitável. “Mesmo tendo um cuidador lá em casa, não era possível, porque ela batia no cuidador, ela batia nos netos”, explicou.

Apesar do estado avançado da doença, o comunicador faz questão de manter uma presença constante ao lado da mulher e garante que foi precisamente neste processo que descobriu o verdadeiro significado do amor. “Eu aprendi com ela o que era o amor. Eu estava convencido que o amor era aquela coisa que nós vamos criando ilusoriamente”, afirmou emocionado.

Para Fernando Correia, o amor manifesta-se sobretudo na dedicação incondicional e na capacidade de cuidar do outro. “É o amor em que não me importo de dar a minha vida por eles”, sublinhou.

O jornalista contou ainda um episódio que continua a guardar com emoção. Há cerca de dois anos, levou a filha mais nova para visitar Vera no dia do seu aniversário e decidiu sussurrar-lhe uma informação ao ouvido. “Ela não fala, não vê, não ouve, não sente nada. E eu disse-lhe ao ouvido: ‘Olha, Vera, a Nara hoje faz anos.’ E ela sorriu”, recordou.

A experiência vivida ao longo destas duas décadas motivou também a escrita do seu mais recente livro, através do qual pretende sensibilizar a sociedade para uma maior compreensão das pessoas que vivem com Alzheimer.

Na conversa com Cristina Ferreira, deixou ainda uma mensagem de esperança para todas as famílias que enfrentam a doença. “Sobretudo, a doença de Alzheimer nesta altura cura-se só de uma forma, com amor, mais nada. Deem carinho, deem ternura, deem amor, é preciso isso, nada mais”, concluiu.

Sentiu a emoção desta história? Imagine vivê-la sem interrupções.
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