No «Dois às 10», conhecemos a história impressionante de Marta, que há cerca de três anos deixou de se esconder.
Durante grande parte da vida, Marta Pinho, de 29 anos, viveu em sofrimento por causa de uma condição rara: hirsutismo — uma alteração hormonal que provoca o crescimento de pelos em zonas típicas do corpo masculino, como o rosto, o peito ou as costas. No caso de Marta, os pelos faciais marcaram o seu crescimento, a autoestima e a vida social.
A história foi partilhada no «Dois às 10», onde Marta relata como começou a fazer tratamentos para remoção de pelos ainda em criança. “Aos 12 anos, os meus pais achavam que ter muitos pelos era um problema. Comecei logo a tentar escondê-los”, recorda. Apesar de ter procurado várias soluções ao longo dos anos, nenhum dos tratamentos surtiu efeito.
Marta assumiu a sua condição há cerca de três anos. Atualmente, namora com uma mulher que lhe deu força para assumir a sua verdade: "Ela disse-me "porque é que estás a sofrer para os outros?". A partir daí, assumiu a barba em público no Tiktok: "Tenho barba e sou livre e adoro ser mulher", esclarecendo ainda as confusões que fazem ao associarem-na a uma pessoa trans.
Decidiu parar de se esconder e mostrar ao mundo quem realmente é. Desde então, tem usado a sua experiência para inspirar outras mulheres com hirsutismo a viverem de forma plena e sem medo do preconceito. “Foram 26 anos a duvidar de mim, a ter nojo de mim, a ter vergonha daquilo que os outros podiam pensar sobre mim… por uma coisa tão simples. Ok, sou uma mulher com barba”, desabafa.
Mas nem sempre foi fácil. Marta foi alvo de comentários maldosos durante a escola — alguns colegas chegaram a insinuar que era transexual por causa da barba — e enfrentou discriminação em contexto profissional. “Já fui rejeitada em entrevistas de emprego por causa da aparência”, confessa.
Hoje, encara a sua identidade com orgulho, mesmo tendo sido diagnosticada com transtorno de personalidade borderline, resultado de anos a lidar com estigmas e pressões externas. Usa as redes sociais como forma de partilha, apesar de receber várias críticas.