Tem marcas de queimadura de cigarros e recorda castigos com “tapete de picos”. Sem conseguir andar normalmente devido a doença rara, chegou ao nosso estúdio ao colo do namorado, com quem vive uma bonita história de amor
Nesta manhã, no programa Dois às 10, Patrícia Rodrigues partilhou uma história de vida dura, mas também inspiradora. Entre lágrimas e coragem, a jovem falou da infância traumática, da luta contra o bullying, do diagnóstico de uma doença rara e da forma como o amor transformou a sua vida.
Uma infância roubada
Patrícia tinha apenas um ano quando foi retirada aos pais biológicos, ambos toxicodependentes. Antes disso, já tinha sofrido castigos cruéis: “Tenho marcas de queimaduras de cigarros na mão e cicatrizes de picos nos joelhos”, recordou, emocionada.
Depois da retirada, foi acolhida num centro com os irmãos, mas também aí, conta, não recebeu os cuidados de que precisava. Patrícia não conseguia dar um passo sem cair, e mesmo assim o problema foi desvalorizado. Quando conheceu os pais adotivos, o centro terá chegado a impedi-la de se levantar para que o casal não percebesse que tinha uma doença de saúde.
Aos sete anos, foi finalmente adotada. “Estava sempre com medo de ser devolvida”, confessou. Pouco tempo depois, os irmãos também foram adotados — mas juntos, e até hoje Patrícia não sabe quem os acolheu nem onde estão.
Patrícia deixou ainda um apelo sentido: quer reencontrar os irmãos, Elisabete e Tiago, de quem não sabe o paradeiro desde a infância.
Marcas para sempre
Na escola, Patrícia viveu um dos maiores traumas da sua vida: o bullying. Desde a primária que era alvo de risos por não conseguir brincar como os outros. No 7.º ano, o sofrimento agravou-se. Chegou a ser agredida com pedras pelos colegas e recorda um episódio doloroso: “Um rapaz fez fintas à minha frente e disse que, se tivesse um filho como eu, o matava”.
O impacto foi tão profundo que Patrícia confessou ter pensado em desistir de viver. “O bullying foi o maior trauma da minha vida. Eu não gostava de ir à escola porque sabia que ia ter de lidar com aquilo tudo”, desabafou.
O diagnóstico que mudou tudo
Apesar dos sintomas desde criança, apenas aos 19 anos recebeu o diagnóstico da doença neuromuscular Charcot-Marie-Tooth. A condição afeta a força, o equilíbrio e a mobilidade, mas Patrícia não é totalmente dependente de cadeira de rodas. “Faz parte de mim, mas não me define. As pessoas só veem a minha doença e eu sou mais do que isso”, afirma, com convicção.
O amor que salvou
Se a infância e juventude foram de dor, hoje Patrícia tem um motivo para sorrir. O namorado tornou-se o maior apoio e ajudou-a a aceitar-se: “Foi um incentivo para me aceitar como sou. Ele diz que adora as minhas imperfeições”. Graças a este amor, Patrícia encontrou um novo propósito: “Comecei a gostar muito da vida”.