São irmãos, apaixonaram-se e tiveram dois filhos. Continuam a lutar para poder casar-se

  • Dois às 10
  • 20 nov, 16:29

Esta história cruza romance e polémica e é debate público frequente em Espanha

Uma história que cruza romance e polémica volta a acender o debate público em Espanha. Ana Parra, espanhola, tinha apenas 20 anos quando soube que o pai (que a deixara ainda bebé) reconstruíra a vida e tivera outro filho. Decidida a encontrá-lo, acabou por localizar o meio-irmão através do Facebook. O reencontro, que começou de forma inocente como uma simples amizade, evoluiu para uma relação amorosa, mesmo sabendo ambos que partilhavam o mesmo pai.

“A minha mãe disse-me que o meu pai nos tinha deixado para formar outra família e que tinha outro filho”, recordou Ana, em 2023, numa entrevista ao jornal El Español. Do outro lado da história está Daniel Parra, que cresceu apenas com o pai após a separação deste da mãe, quando Daniel tinha oito anos.

“Nunca quis procurá-la. Talvez se fosse filho único teria tido essa necessidade de procurar a minha irmã perdida”, explicou Daniel ao mesmo jornal. Além de Ana, Daniel tem mais três irmãos, resultado das relações do pai e da mãe.

Um amor que surgiu sem aviso

O primeiro encontro deu-se quando Daniel tinha 17 anos e Ana 20. A empatia foi imediata e, desde então, nunca mais se afastaram. Apesar do constrangimento inicial, tornaram-se rapidamente próximos. Ana mudou-se para uma casa perto da de Daniel e, com a convivência diária, o laço intensificou-se.

“Tentávamos manter aquela relação fraternal, que os padrões estabelecem, mas não a sentíamos assim... Aquele sentimento fraterno não existia. Conheci uma rapariga que me disse que era minha irmã, que tinha os mesmos gostos que eu e com quem me divertia muito, mas não conseguia considerá-la irmã”, contou Daniel.

O primeiro beijo e o peso da culpa

Apesar de tentarem resistir ao que sentiam, numa festa acabaram por se beijar — um momento que os deixou perturbados e envergonhados. “Cada um seguiu o seu caminho, ficámos um pouco envergonhados com o que tinha acabado de acontecer”, descreveu Daniel. Contudo, o afastamento durou pouco: não conseguiram passar mais de três dias separados.

Dentro do círculo de amigos, a relação foi aceite e até apoiada. Mas, fora desse ambiente, a reação foi bem mais hostil: igreja, vizinhos e utilizadores das redes sociais criticaram-nos duramente, com comentários agressivos e insultos.

A luta de Ana e Daniel para poderem casar

Hoje, o casal tem duas crianças, de sete e cinco anos. Ambos admitiram recear os riscos associados à consanguinidade, mas afirmam ter recebido garantias médicas de que a probabilidade de problemas de saúde seria apenas 4% superior à de qualquer outro casal.

O grande objetivo de Ana e Daniel é, agora, conseguir casar. O Código Civil espanhol impede o casamento entre familiares diretos, embora o incesto deixe de ser considerado crime desde 1978. Uma petição está em curso para tentar rever a lei e permitir que o casal possa oficializar a relação.

Uma história que continua a dividir opiniões

As publicações no Instagram de Ana e Daniel geram ondas de apoio e críticas. Entre mensagens de carinho como "se são felizes e se amam, quem sou eu para dizer que estão errados??? Desejo-lhes toda a felicidade do mundo❤️❤️❤️", surgem também ataques contundentes: "Milhões, literalmente milhões de homens no mundo, e tu envolves-te com o teu irmão. Uma psicóloga adoraria estudar isto".

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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