Estamos habituados a vê-lo no terreno, em cenários exigentes e muitas vezes dramáticos. Mas desta vez, António José Leite abriu o coração e levou-nos até ao seu “lugar mágico”: a Praia da Torreira, em Aveiro, onde aprendeu valores para a vida e onde se reencontrou depois das maiores perdas.
Jornalista da TVI e da CNN Portugal, António José Leite está há cinco anos na redação da TVI Porto. Cresceu entre Lisboa e Oliveira de Azeméis, licenciou-se em Jornalismo no Porto e começou a carreira numa rádio local. Foi um dos fundadores da NTV, o primeiro canal de televisão fora de Lisboa, e trabalhou 14 anos na RTP, sobretudo na área do desporto e em exteriores. Mais tarde, integrou o projeto CNN Portugal e a redação da TVI Porto.
Ao longo do percurso, esteve no terreno em momentos marcantes: tempestades em Portugal, cheias em Valência, incêndios e o terramoto de Marrocos. Experiências intensas que moldaram o profissional — e o homem.
Mas é na Praia da Torreira, em Aveiro, que António encontra a sua verdadeira identidade. “Chorei e ri muitas vezes aqui”, partilha. Foi ali que viveu a infância, construiu memórias em família e aprendeu lições que leva para sempre. “Aprendi a contar as ondas, a saber quando posso mergulhar.” É ali que sente que está a sua essência: “Tenho aqui a minha identidade, aprendi muitos valores de vida na praia da Torreira.”
A vida, porém, ficou irremediavelmente marcada em 2009. O irmão, Afonso Tiago, que vivia em Berlim e trabalhava na área aeroespacial, desapareceu a 10 de janeiro desse ano, depois de se despedir dos amigos numa noite fatídica. Tinha 27 anos. Caiu num rio gelado e o corpo foi encontrado quase dois meses depois. A autópsia indicou morte por afogamento. “ É a primeira vez que estou a falar disto", começou por dizer, depois da morte do irmão ter sido notícia em vários jornais. "Foram 58 dias de muito sofrimento… até hoje… até sempre”, recorda António, emocionado. A dor foi profunda e duradoura. “Eu demorei muito tempo a permitir-me ser feliz.”
Em 2020, voltou a enfrentar o luto com a morte do primo Rodolfo, de quem era muito próximo, onze anos após a partida do irmão.
Apesar das perdas, António agarrou-se a uma missão: “Eu tinha a missão de ser feliz, o meu irmão não queria outra coisa que não isso.” E foi na Torreira que encontrou esse caminho. “Sou uma pessoa que me permite ser feliz. A Torreira foi onde me encontrei.”