«Saí de um país violento e pensava estar num tranquilo». Imigrante brasileira viu a filha e genro serem mortos a tiro em Lisboa só por estarem na rua

  • Dois às 10
  • 30 out, 12:18

A 2 de outubro de 2024, um triplo homicídio na Penha de França, em Lisboa, deixou o país em choque. Entre as vítimas estavam Fernanda Júlia e o marido, Bruno Neto, mortos a tiro quando regressavam a casa. A mãe de Fernanda, Marta Brandão, uma imigrante brasileira que vive em Portugal há 22 anos, recorda o dia que lhe mudou a vida.

Eram cerca das 14h00 de 2 de outubro de 2024 quando um homem entrou numa barbearia, na Penha de França, e disparou mortalmente contra o proprietário. Ao fugir, cruzou-se com Fernanda Júlia e o marido, que caminhavam na rua, e abateu-os a queima-roupa.

A tragédia tirou a vida a três pessoas inocentes. O casal deixa três crianças órfãs: uma menina de seis anos, filha de ambos, e dois filhos de relações anteriores.

No “Dois às 10”, Marta Brandão, mãe de Fernanda, contou com voz emocionada o dia em que o mundo lhe desabou: “Estava nas compras quando me ligaram a dizer que a minha filha tinha sido morta. Quando cheguei a casa, o meu neto chorava e pedia-me calma. Depois vi na televisão a foto dela e do Bruno…”

A mãe recorda que a filha tinha apenas 16 anos quando veio para Portugal, em busca de uma vida mais tranquila. "Saí de um país violento e pensava estar num tranquilo", lamentou Marta.

Um ano depois do crime, Marta ainda não conseguiu fazer o luto. Vive agora com a neta de seis anos e carrega o peso da perda e da responsabilidade. “Perdi a minha filha e o meu genro… Agora tenho de cuidar da minha neta, que ficou sem os pais. Ela diz que estão nas estrelinhas.”

De acordo com as autoridades, o homicida — que matou também o barbeiro Carlos Pinafugiu de carro e esteve uma semana em fuga, até ser encontrado no Pinhal Novo, alegadamente entregue pelo pai. Desde então, está em prisão preventiva.

O julgamento está marcado para 13 de novembro, e Marta diz que fará questão de estar presente: “Quero ver a reação dele e perceber porquê. Quero saber o motivo de tirar a vida de um casal e destruir uma família. O que eu espero é que se faça justiça.”

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