Isabel Ferraz viveu uma das dores mais difíceis que uma mãe pode enfrentar: a perda de um filho. Pedro tinha apenas sete anos quando morreu, após uma luta de quatro meses contra um cancro cerebral agressivo.
No programa Dois às 10, Isabel recordou a história do único filho, que hoje teria 24 anos, e abriu o coração sobre os momentos mais dolorosos da sua vida. “Pedro foi uma criança saudável até aos sete anos”, começou por recordar.
Tudo mudou quando surgiu o diagnóstico devastador. Os médicos foram claros desde o início: tratava-se de uma doença sem cura. “O diagnóstico de cancro foi dado como sendo algo impossível de cura”, contou.
Apesar disso, Isabel nunca perdeu totalmente a esperança. Durante quatro meses, o pequeno Pedro foi submetido a vários tratamentos e a três cirurgias, numa luta intensa contra o cancro cerebral.
Mas o desfecho acabou por ser inevitável. Num dos momentos mais emocionantes da conversa, Isabel recordou a despedida do filho — palavras que ainda hoje permanecem gravadas na memória. “Pedrinho, se achares que é hora de partir, a mamã deixa-te ir”, disse-lhe.
Minutos depois, Pedro morreu. Passados 17 anos, a dor continua presente. Isabel admite que a perda deixou marcas profundas e uma ferida que nunca desapareceu totalmente. “Continuo a viver com esta cicatriz dentro de mim”, confessou, emocionada.
Depois da morte do filho, Isabel precisou de apoio psicológico e chegou mesmo a ponderar abandonar o ensino. Durante um ano e meio manteve o quarto de Pedro exatamente como estava, incapaz de mexer nas memórias.
Com o tempo, encontrou na escrita e nas viagens uma forma de sobreviver ao luto. Recentemente lançou o livro “Escrevo-te… para não me perder”, onde fala precisamente sobre a dor da perda e o difícil caminho para voltar a viver.