A dor de perder um filho nunca desaparece. Seis anos depois da morte da filha, Filipa Silva Lopes continua a recordar Maria todos os dias.
A bebé nasceu prematuramente, lutou pela vida durante apenas quatro dias e morreu nos braços da mãe. Hoje, a educadora de infância garante que a fé foi determinante para conseguir encontrar algum sentido numa das maiores tragédias que um pai ou uma mãe podem viver. "Se a Maria estivesse viva, teria hoje seis anos", começa por recordar Filipa, numa conversa profundamente emotiva.
Maria nasceu às 31 semanas de gestação, muito antes do previsto. No momento do parto, Filipa não ouviu o tão esperado choro da bebé. A recém-nascida teve de ser imediatamente reanimada e permaneceu ligada ao suporte básico de vida durante quatro dias. Apesar da gravidade da situação, a mãe ainda conseguiu abraçar a filha por breves momentos, agarrando-se à esperança de que tudo pudesse terminar de forma diferente. Mas o desfecho foi outro.
"Foi no meu colo que deu o último suspiro"
Mulher de fé, Filipa tomou uma decisão que considera ter sido fundamental naquele momento tão difícil: batizar a filha ainda em vida. "Optámos por batizá-la para lhe dar um nome e uma identidade", explica.
Na véspera da morte de Maria, a cerimónia aconteceu no hospital. Pouco tempo depois, foi também nos braços da mãe que a bebé morreu. "Foi no meu colo que a minha filha deu o último suspiro", recorda. Filipa acredita que viveu um momento semelhante ao da Virgem Maria. "Foi como a Virgem Maria, que entregou o filho a Deus. Também eu entreguei a minha filha."
Seis anos de luto e uma nova forma de viver
Ao longo destes seis anos, Filipa admite que passou por todas as fases do luto. Houve muito sofrimento, muitas lágrimas e momentos de profunda revolta, mas garante que a perda da filha transformou completamente a sua forma de olhar para a vida.
Sete meses após perder Maria, voltou a engravidar. Nasceu Joana, hoje com quatro anos, que cresceu a conhecer a história da irmã. Apesar da felicidade de voltar a ser mãe, Filipa faz questão de manter viva a memória de Maria e conversa abertamente sobre ela com a filha mais nova.
Educadora de infância, Filipa confessa que, depois da morte da filha, canalizou o amor que tinha para dar para as crianças com quem trabalhava. Atualmente, encontrou também na escrita e nas redes sociais uma missão: partilhar a sua história e apoiar outros pais que enfrentam a dor da perda gestacional ou neonatal.
Seis anos depois daquele dia que mudou a sua vida para sempre, Filipa continua a acreditar que Maria foi o seu maior ensinamento.