Rui perdeu um filho de 7 meses e anos mais tarde a mulher: «Sei que está feliz por estar com ele»

  • Dois às 10
  • 19 dez 2025, 12:04

Rui conhece a dor de perder duas vezes aquilo que mais amava. Primeiro, despediu-se de um filho ainda bebé; anos mais tarde, perdeu a mulher com quem construiu uma vida inteira. Entre a saudade e a fé, acredita que hoje estão juntos — e encontra nas filhas a força para continuar.

A vida de Rui Valério ficou marcada por perdas que nenhuma família está preparada para enfrentar. Primeiro, a morte de um filho ainda bebé. Anos mais tarde, a despedida da mulher com quem partilhou mais de três décadas de amor. Ainda assim, Rui encontrou forças para continuar, guiado pela fé, pela memória e pelas filhas que hoje são o seu maior motivo para não desistir.

Entre a saudade e a fé, Rui acredita que a mulher encontrou paz junto do filho. “Sei que está feliz por estar com ele”, diz, com a serenidade de quem aprendeu que o amor não termina — apenas muda de forma.

Em 2012, o segundo filho do casal, Diogo, nasceu com uma doença metabólica rara e incurável — a síndrome CDG. Durante 61 dias, o bebé esteve internado, entre cirurgias, incertezas e silêncios difíceis de suportar. Acabaria por morrer com apenas sete meses de vida, nos braços da mãe, após uma infeção generalizada. Uma dor que mudou para sempre o rumo desta família.

Dois anos depois, o nascimento de Maria trouxe alguma luz e a tentativa de reconstruir o que tinha sido quebrado. Mas a tranquilidade durou pouco. Em outubro de 2022, quando a vida parecia finalmente mais estável, surgiu um novo golpe devastador: Paula, companheira de Rui desde a adolescência, foi diagnosticada com um tumor cerebral agressivo. O prognóstico foi claro e implacável — pouco tempo de vida.

Rui deixou de trabalhar durante cerca de um ano e meio para cuidar da mulher em casa, acompanhando de perto a perda progressiva da fala e da mobilidade. Foram meses de cuidados constantes, despedidas silenciosas e uma dor diária difícil de descrever. Paula acabaria por morrer a 11 de fevereiro de 2024.

Foi precisamente durante esse período que Rui terminou de escrever “Oito de Maio”, o livro dedicado ao filho que perdera uma década antes. A escrita tornou-se refúgio, sobrevivência e forma de transformar a dor em amor. Hoje, Rui vive com as duas filhas, Benedita e Maria, sustentado pela memória de quem perdeu e pela certeza de que continuar também é um ato profundo de amor.

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