Cátia Sousa viveu a dor mais profunda que uma mãe pode enfrentar. Depois de realizar o sonho de ser mãe, viu o único filho morrer nos seus braços com apenas um mês e meio de vida, vítima de morte súbita — uma perda que mudou para sempre a sua forma de viver e de sentir o mundo.
O sonho de uma vida inteira transformou-se num dos maiores pesadelos que um pai ou uma mãe podem viver. Cátia Sousa sempre quis ser mãe e, aos 33 anos, esse desejo tornou-se finalmente realidade. O dia em que soube que estava grávida foi, garante, o mais feliz da sua vida.
A gravidez decorreu sem qualquer percalço. Tudo indicava que o caminho estava a ser feito com normalidade e serenidade. Gustavo nasceu em outubro de 2022, saudável, sorridente e muito desejado. Para Cátia, aquele foi “o melhor dia da sua vida”. Nada fazia prever a tragédia que se seguiria.
Com apenas 48 dias de vida, Gustavo sofreu uma paragem cardiorrespiratória enquanto estava ao colo da mãe. De forma repentina, o bebé começou a sentir-se mal. Cátia percebeu imediatamente que algo não estava bem. Em pânico, ligou para o INEM, sendo guiada ao telefone por um enfermeiro enquanto tentava salvar o próprio filho.
Durante cerca de 40 minutos, Cátia lutou desesperadamente pela vida do bebé, realizando manobras de reanimação até à chegada da equipa de socorro. Gustavo ainda esteve mais de uma hora a ser reanimado, mas chegou um momento em que já não foi possível fazer mais. O óbito acabou por ser declarado na ambulância.
A morte súbita do filho deixou um vazio irreparável. Ainda assim, Cátia tomou uma decisão que poucos conseguem tomar no meio da dor: foi ela própria quem tratou de todo o funeral do filho, num último ato de amor e de cuidado.
Com o tempo, e depois de não encontrar respostas suficientes na terapia, Cátia decidiu transformar a perda numa missão. Três anos após a morte de Gustavo, criou a associação “Conti.Gu na Vida”, um espaço pensado para acolher outros corações partidos, como o seu.
A promessa feita no momento do adeus tornou-se o nome da associação — “Estarei sempre conti.gu”. Criada na mesma rua onde perdeu o filho, a iniciativa procura apoiar pais que vivem a dor da perda gestacional ou neonatal, oferecendo aquilo que Cátia sentiu que lhe faltou: compreensão, acolhimento e presença.
Hoje, Cátia continua a carregar a ausência de Gustavo todos os dias. Mas garante que o nome do filho nunca morrerá. A dor permanece, mas transformou-se em amor partilhado — e em esperança para quem vive a mesma perda.