Em apenas uma semana, perdeu o marido e o pai. Hoje, Maria Adelaide inspira outros com a sua coragem.
Maria Adelaide é uma mulher que carrega no olhar a serenidade de quem aprendeu a transformar a dor em força. Aos 84 anos, continua ativa. Presidente do Clube Universitário Tempo Livre da Amadora e professora de dança e alfabetização, é um exemplo vivo de que a vida pode ser bela, mesmo depois das maiores tempestades.
Natural de Vila Real, Maria Adelaide veio para Lisboa ainda jovem, em busca de novos horizontes. Aqui construiu uma vida plena, marcada por um amor profundo e duradouro. Foi casada durante mais de 40 anos e recorda o marido com uma ternura que o tempo não apaga: «Seria impossível encontrar um homem como ele, portanto, não voltei a casar».
Mas a sua história ganhou contornos de dor e resiliência quando o destino lhe tirou, num curto espaço de tempo, as duas pessoas mais importantes da sua vida. «O meu marido e o meu pai morreram os dois na mesma semana, há 23 anos», recorda, com uma serenidade que comove. Em apenas oito dias, viu partir o companheiro de uma vida e o pai que a ensinou a ser forte.
Esses dias foram, como confessa, «momentos muito tristes», mas Maria Adelaide recusou-se a sucumbir. Não se deixou cair na apatia e enfrentou o luto «através da mente», como quem escolhe compreender a dor para continuar a viver.
A sua capacidade de superação tornou-se um exemplo para todos à sua volta. «Quero mostrar às pessoas que podemos superar qualquer perda», afirma. E é precisamente isso que faz todos os dias — dá o seu tempo, o seu carinho e a sua energia para ajudar os outros a reencontrar a alegria. No clube que hoje preside, encontrou uma nova família e uma missão: oferecer aos idosos a oportunidade de voltarem a aprender, a conviver e a sentir-se úteis.
Maria Adelaide é hoje uma mulher rodeada de amor — o dos filhos, dos netos e de todos os que com ela partilham o quotidiano no clube. «Vivo rodeada do amor dos meus filhos e netos», diz, com um sorriso tranquilo. A sua vida é uma lição de coragem, de esperança e de gratidão.
Enquanto puder fazer o bem, garante, vai continuar «de pé».