Um hábito aparentemente inofensivo ao usar o micro-ondas pode estar ligado ao aumento do risco de cancro, segundo especialista em saúde. De acordo com estudos recentes, determinados comportamentos no preparo ou aquecimento de alimentos podem liberar substâncias prejudiciais ao organismo, reforçando a importância de atenção às práticas diárias na cozinha.
A exposição diária a disruptores endócrinos, substâncias químicas que interferem com o sistema hormonal, tem vindo a aumentar e pode trazer consequências graves para a saúde, incluindo um maior risco de cancros hormonodependentes. O alerta foi feito pela especialista em oncologia, Diana Pessoa, durante uma entrevista no podcast A Nossa Voz.
“Nunca devemos aquecer comida numa caixa de plástico. Uma das coisas a que, infelizmente, estamos mais expostos hoje em dia são os disruptores endócrinos”, afirmou a especialista, destacando que muitos destes compostos estão presentes em objetos do dia a dia, como plásticos, latas de conserva, cosméticos e desodorizantes.
Um exemplo muito conhecido é o bisfenol A (BPA), frequentemente usado no revestimento interior de latas e em alguns tipos de plástico. “Chamam-se disruptores porque interrompem um equilíbrio e endócrinos porque afetam diretamente o nosso sistema hormonal”, explicou Diana Pessoa.
Segundo a oncologista, “nós temos estrogénio e progesterona, e estas hormonas precisam de estar em equilíbrio. Quando existe uma predominância estrogénica, aumenta o risco de cancros hormonais, como o da mama, do ovário ou do endométrio”, alertou.
A especialista salientou ainda que esta exposição ocorre, muitas vezes, de forma silenciosa e prolongada. “Não é por comer atum em lata de vez em quando. O problema é a exposição crónica, repetida ao longo do tempo, sem que a pessoa se aperceba”, referiu.
O calor é um dos principais fatores que aumentam a libertação destes compostos. “Nunca se deve aquecer comida numa caixa de plástico. O ideal é retirar sempre a comida e aquecê-la num prato”, aconselhou, explicando que, no caso das latas, os alimentos passam por altas temperaturas antes de serem fechados hermeticamente.
Os dados reforçam a dimensão do problema. De acordo com estudos europeus citados por Diana Pessoa, 93% da população europeia apresenta BPA na urina. “Em Portugal, os testes mostram que esse valor chega aos 100%. Isto mostra que estamos todos expostos”, sublinhou.