Do estrelato precoce à descoberta devastadora de que na sua conta restavam apenas 14 euros, Saúl viveu uma das maiores quedas da música portuguesa. No Dois às 10, o cantor abriu o coração sobre a rutura com a família, o perdão que diz ter feito, mas que nunca significará esquecimento.
Filho de artistas de circo e neto de feirantes, foi no meio da festa e da animação que Saúl encontrou, desde cedo, o seu lugar. Ainda criança, já subia aos palcos para entreter o público e rapidamente se tornou conhecido como a versão em miniatura de Quim Barreiros, um dos seus maiores ídolos.
O talento levou-o à televisão e o sucesso foi imediato. Com apenas sete anos, era já tripla platina. Vendia milhões, arrastava multidões e proporcionava à família uma vida que nunca tinham tido. Mas aos 18 anos sofreu um dos maiores golpes da sua vida ao descobrir que, na conta bancária onde deveriam estar milhares de euros, restavam apenas 14 euros, o mundo desabou. O artista cortou relações com a família e entrou numa fase profundamente dolorosa.
No Dois às 10, falou sobre essa ferida que continua aberta. “Perdoar até posso, esquecer nunca”, afirmou. Questionado por Cristina Ferreira se ainda é difícil ultrapassar, respondeu com honestidade: “A gente tem de perdoar senão não seguimos em frente, mas esquecer nunca vou”.
Saúl revelou que não mantém qualquer relação com os pais e que não sabe nada sobre eles. Quando Cláudio Ramos perguntou se nunca quis saber as razões, foi direto: “Na altura queria, mas não vale a pena. Um atirava para o outro e o único sem culpa fui eu”.
Hoje, pai de uma filha, garante que nunca impedirá que ela procure as suas raízes. “Se um dia ela quiser procurar, sou o primeiro a dizer que sim”, assegurou.
Entre o brilho dos palcos e a sombra da desilusão, Saúl construiu uma nova vida do zero.