«Se me encostar aqui, adormeço»: a doença que Rita sofre quase a colocou em risco de vida

  • Dois às 10
  • 20 jan, 12:30

Durante muito tempo, Rita não sabia o que se passava consigo até que um acidente de viação mudou tudo.

Durante grande parte da sua infância e adolescência, Rita Barbosa foi vista como alguém preguiçoso. O motivo parecia simples para quem a rodeava: adormecia constantemente, em qualquer lugar e a qualquer hora. Podia estar a arrumar o quarto, num jantar de família, a ler ou a ver um filme — o sono vencia sempre.

Na altura, o cansaço foi desvalorizado. Acreditava-se que era apenas fruto da rotina do dia a dia. A própria Rita pensava o mesmo.  O sono constante condicionou a sua vida social. Apesar de ter liberdade para sair, Rita desistia muitas vezes porque o cansaço físico era mais forte. “Sinto que isso prejudicou um pouco a minha vida social na adolescência”, admite. Enquanto outros jovens viviam noites longas, Rita ia dormir cedo — muitas vezes por volta das 21 horas — algo que até era motivo de brincadeiras dentro da própria família.

Tudo mudou quando tinha 18 anos. Num dia aparentemente normal, enquanto ditava uma mensagem a uma amiga, Rita adormeceu ao volante. O carro despistou-se, embateu noutro veículo e contra um muro. Rita ficou encarcerada durante cerca de uma hora e meia e sofreu ferimentos no rosto. Do acidente, não guarda memória mas sabe que podia ter corrido risco de vida. Apenas se recorda de acordar no hospital.

O acidente acabou por ser o ponto de viragem. A pedido da médica, Rita realizou exames do sono, que trouxeram finalmente uma resposta. Aos 21 anos, recebeu o diagnóstico: narcolepsia, uma doença neurológica caracterizada por sonolência excessiva ao longo do dia.

Saber o nome da doença trouxe-lhe alívio. “Descansou-me porque afinal tem nome. Não é preguiça, é algo e eu sei o que é”, explica. Foram 21 anos à espera de um diagnóstico que ajudasse a compreender tudo aquilo que viveu desde criança.

Rita foi acompanhada no Hospital de Braga, nas áreas de Neurologia, Pneumologia e Psiquiatria, e teve de aprender a adaptar-se a uma nova realidade. Superou o medo de voltar a conduzir e adotou novos hábitos para controlar a doença: mantém uma alimentação equilibrada, uma rotina de sono regular, toma medicação, suplementos e vitaminas, pratica exercício físico e procura cuidar do seu estado emocional.

Apesar disso, o cansaço continua a fazer parte da sua vida. Rita pode acordar tão cansada como se tivesse “corrido uma maratona” e, por vezes, chega a acordar sem conseguir mexer o corpo. Em convívios, tem dificuldade em manter-se acordada, mas conta com o apoio constante dos pais, que considera fundamental.

O futuro continua a trazer desafios. Rita sonha ser mãe, mas admite ter receio do impacto que a maternidade poderá ter no seu nível de cansaço. Durante uma eventual gravidez, terá de suspender a medicação, o que pode agravar os sintomas da doença.

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