Ricardo de Sá esteve no Dois às 10 e abriu o coração sobre o último ano, marcado pelo aneurisma grave do pai e pelos cinco meses de coma que se seguiram. Num testemunho comovente, o ator falou do peso de assumir decisões difíceis, do papel de cuidador e da gratidão profunda ao Serviço Nacional de Saúde.
Ricardo de Sá, o ator que o público viu crescer em Morangos com Açúcar, deixou de lado a capa de figura pública no Dois às 10 desta manhã para partilhar um dos capítulos mais difíceis da sua vida.
Em com Cristina Ferreira e Cláudio Ramos, o ator revelou que assumiu o papel de cuidador do pai, vítima de um aneurisma grave em fevereiro de 2025. Ricardo recordou o momento em que recebeu a notícia, minutos antes de subir ao palco para um espetáculo infantil. “Acordei de uma forma mais sobressaltada. Era a minha mãe a dar-me uma notícia menos feliz (…) tinha tido um aneurisma”, contou, visivelmente emocionado.
Na ânsia por compreender o que estava a acontecer enquanto o pai era operado, o ator revelou que chegou a procurar respostas na inteligência artificial. Seguiram-se cinco meses de coma e um longo processo de recuperação. “Hoje em dia ele pode não se conseguir expressar como se expressava antes (…) passa a maior parte do dia acamado ou numa cadeira de rodas, isso não é fácil para mim como filho mais velho ver isto acontecer”, admitiu.
Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi o elogio emocionado ao Serviço Nacional de Saúde. “Se não fosse o SNS, ele não tinha sobrevivido”, afirmou, destacando o trabalho dos neurocirurgiões do Hospital de São José.
Ricardo fez ainda questão de enaltecer o papel da mãe, apesar de estar separada do pai há vários anos. “A minha mãe, que me ajudou muito e ajuda muito. Se usasse aqui uma metáfora, num jogo de xadrez, ela é a rainha”, disse.
O maior alívio chegou quando, após meses de silêncio, o pai voltou a falar. E fiel à sua personalidade, a primeira pergunta foi inesperada: “Quando cheguei ao pé dele, a primeira coisa que ele falou foi: quanto é que custa?”.
Hoje, Ricardo divide o tempo entre o pai e a avó, mantendo viva a esperança de um dia voltar ao Estádio do Estoril Praia com o pai.