Todos os anos, milhões de crianças em Portugal aguardam ansiosamente pela chegada do Pai Natal. Mas será que esta tradição, por mais encantadora que pareça, transmite sempre mensagens positivas?
É uma questão que divide os pais: dizer ou não às crianças que o Pai Natal existe. Por um lado, contar algo que não é verdadeiro pode, mais tarde, causar desilusão; por outro, é difícil imaginar uma infância sem o Pai Natal, que desce pela chaminé durante a noite, deixa os presentes e, antes de partir, come as bolachas que lhe oferecemos.
Para a psicóloga e investigadora Ameneh Shahaeian, os adultos não devem mentir às crianças sobre o Pai Natal. “Quando uma criança pergunta se o Pai Natal é real ou não, já está num nível de desenvolvimento para distinguir o que é real ou ficção”, afirma numa entrevista à BBC.
O psiquiatra Stéphane Clerget acrescenta que só devemos dizer às crianças que o Pai Natal não existe se elas perguntarem diretamente. Até lá, é importante permitir que as crianças sonhem. “Devemos deixar que a criança perceba por si mesma que é apenas um mito. Se começar a suspeitar e fizer a pergunta, responda que o Pai Natal existe para quem acreditar nele. ‘E tu, acreditas nele?’ O problema tem de ser abordado como uma crença e não uma verdade absoluta”, explicou numa entrevista para a Paris Match.
Segundo este psiquiatra, mentir nunca é uma opção viável, porque a criança pode desenvolver “um sentimento de raiva” face à realidade. Acreditar no Pai Natal permite às crianças vivenciar o seu imaginário, onde tudo é possível e a magia acontece. É um espaço que oferece proteção e ajuda a criança a construir as defesas necessárias para lidar com a realidade, de acordo com Stéphane Clerget. E, sublinha ele, “incentivar uma criança a acreditar no Pai Natal não significa que estás a mentir”.
A conclusão é clara: devemos deixar que as crianças explorem livremente os seus pensamentos e mundos. No momento certo, elas compreenderão a realidade que as rodeia.