Estava a 500 metros de casa quando o inesperado aconteceu. Um despiste violento colocou-lhe a vida em risco e mudou tudo para sempre, deixando marcas profundas que ainda hoje o acompanham.
Era abril, fazia sol e tudo parecia igual a tantos outros dias. Diogo seguia para mais um treino de futsal, uma rotina que conhecia de cor. Habitualmente fazia o percurso de carro, mas naquele dia decidiu mudar — escolheu a mota e um caminho diferente. Não tinha percorrido 500 metros quando o inesperado aconteceu. Um despiste violento deixou-o em perigo de vida e mudou-lhe a existência para sempre.
O acidente foi grave. Diogo entrou em paragem cardiorrespiratória, foi induzido em coma e permaneceu inconsciente durante 13 dias. Quando acordou, teve de enfrentar a realidade mais dura: tinha ficado paraplégico.
Durante o coma, médicos, enfermeiros, amigos e familiares escreveram-lhe um diário, um registo de tudo o que ia acontecendo cá fora. Hoje, Diogo volta a essas páginas sempre que precisa de força. «Às vezes ainda leio o diário. Tem as minhas melhorias. Quando estou triste, vou lá», contou.
Mas um dos momentos mais marcantes aconteceu quando percebeu a dimensão das consequências do acidente. Consciente de que a sua vida tinha mudado radicalmente, Diogo tomou uma decisão difícil: deu liberdade à namorada, Cláudia, para o deixar. Não queria que ela se sentisse presa a uma realidade que não escolheu. A resposta foi tudo o que queria ouvir: Cláudia ficou e tornou-se o seu maior pilar: «Sem ela, não teria a força de hoje», revelou Diogo, emocionado.
O jovem admite que deixar de jogar futebol — algo que fez toda a vida — é uma das dores mais difíceis de aceitar, mas garante que não permite que a vida pare. Apesar das limitações, Diogo mantém a esperança. Sabe que existe uma clínica com casos de reversão de sequelas semelhantes às suas e sonha, acima de tudo, com autonomia.
Entre o amor, a dor e a esperança, Diogo e Cláudia mostram que, mesmo quando tudo muda num instante, ficar pode ser o maior ato de coragem.